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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Them Crooked Vultures = Foo Fighters + QOTSA + Led Zeppelin = (power trio)³


Desafio qualquer um a achar um amante do rock que não tenha montado, na imaginação, a sua banda dos sonhos. É Ozzy fazendo dueto com Tarja Turunen, John Lennon fazendo base para Noel Galleguer, James Brown dividindo o palco com o Red Hot... Enfim... tudo que imaginação permitir.

Entretanto, são poucas as ocorrências deste tipo de fenômeno na curta história do Rock.

Suponho que estejamos diante de um desses fenômenos! Them Crooked Vultures: John Paul Jones (Led Zeppelin), Josh Homme (Queens of the Stone Age e Kyuss) e Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters) formaram um legítimo power-trio de Hardrock. O trio de peso já tem dois sons rolando por aí, além de vídeos de shows disponíveis no YouTube.

Em ‘New Fang’, o grupo mostra que realmente se trata da fusão dos projetos principais dos integrantes da banda. Nota-se facilmente a virtuose do Led Zeppelin, o ritmo desritmado do Queens of the Stone Age e os sempre potentes vocais e bateria do Foo Fighters:

Curti bastante esse som, 'Elephants', que foi disponibilizado na versão de ensaio em estúdio:




Confesso que realmente estou empolgado e aguardo com ansiedade o lançamento do álbum completo, que será em 17 de novembro.

Link relacionados

http://www.themcrookedvultures.com/
http://www.myspace.com/crookedvultures
http://www.youtube.com/user/themcrookedvultures
http://www.facebook.com/crookedvultures

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ratos de um mar de ironia

Tenho um preconceito cerebral ao ouvir álbuns novos de bandas que gosto. Não peça pra explica, mas geralmente é assim... Fico na expectativa para ouvir e depois acabo me decepcionando e deixo de ouvir o álbum! É, não tente entender porque realmente é complicado. Mas o fato mais intrigante é que depois de alguns meses, quando por acaso volto a ouvir o álbum, volto a ouvi-lo e aí não paro mais!

Isso aconteceu com o novo do Kings of Leon (Only By The Night), do Jet (Shaka Rock) e o do Arctic Monkeys (Humbug).

Entretanto, hoje quero falar de um álbum que curti de prima: ‘No One's first and you're next’ do Modest Mouse.

Conheci a banda pelo álbum de 2007, que tem músicas sensacionais que oscilam entre o mais dançante ao mais progressivo que se conhece no meio indie. No novo álbum recém lançado a variação é um pouco menor, mantendo a tendência mais progressiva. Também se mantiveram duas características que me fazem gostar bastante dessa banda: a pluralidade de instrumentos e a irreverência do vocal.

Outro ponto muito bom da banda são os clipes. Com propostas engraçadas e satíricas, as produções da banda sempre trazem algum elemento do mar, como ‘King Rat’, de uma das músicas do álbum novo:

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Seja os Beatles, compre os Beatles!


O legado dos Beatles já pode ser considerado uma obra universalizada e muito rentável. Assim como os clássicos da literatura, os sucessos da banda são reeditados, relançados, relidos, reformatados, a exaustão. Nessa onda surgem: Beatles em chorinho, Beatles em blues, Beatles em canções de ninar, Beatles em fotos, Beatles em poemas... Enfim, em tudo que possa ser vendido a legião de fãs da banda.

No meio dessa enxurrada de ‘releituras’, em todos os idiomas possíveis, o que prospera, em termos de ‘arte’, são as boas interpretações da obra dos Beatles.

Interpretações que carreguem consigo a essência de cada canção do quarteto. E afirmo com convicção, menos de 10% ‘releituras’ carregam a essência da obra original.

Como um tsunami nesse mar de cópias, surge o The Beatles Rock Band: O ‘Guitar Hero’ adaptado a temática Beatles, ou seja, a fusão de dois sucessos de venda. Apesar do jogo ter me parecido simples demais diante da riquesa da temática, me rendo a interpretação gráfica que foi dada ao jogo.

A reprodução dos ambientes, dentro do que se conhece, é perfeita. O vídeo que foi lançado para divulgar o jogo, mostra toda a qualidade e cuidado com a produção, apresentando diferentes traços para retratar diferentes fases dos Beatles. Achei realmente genial:


The Beatles Rock Band, a exemplo do filme ‘Across the universe’ e do álbum ‘The Love’, é um ótimo exemplo de obra que conseguiu manter a essência da obra original.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Maguila e a métrica reversa do futuro

Existem acontecimentos que nos parecem inacreditáveis, mas que o futuro dá um jeito de realizá-los. Quem que poderia imaginar o Lula ter como seus aliados de governo os Senadores e ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor? Digamos que lá por 2002 essa idéia seria inadmissível.

Em 2002 ainda, ririam da minha cara se eu contasse que o Fenômeno seria a sensação do Corinthians, depois da terceira lesão no joelho. E se eu insistisse, e ainda tentasse falar que o Denilson não se firmou no Itumbiara e acabou indo para o famigerado futebol Vietnamita, sendo a contratação de peso do Hai Phong Cement, sexto colocado do certame do país asiático.

Nessa mesma linha, mas (acredito eu) não tão surpreendente quanto (haja vista que até o Pelé já foi cantor), o virtuoso boxeador Maguila largou sua aposentadoria para ser um novo ‘Ás do Samba brasileiro’. Está duvidando? Então clique aqui e faça o download da música de trabalho do Maguila.


Depois do estilo Gangsta rap do 50 Cents, agora Maguila inaugurar um novo estilo musical: SamBox. E para quem curtir a música, já aviso que ouvi falar que nas próximas semanas pode sair a segunda música do ex-boxeador, e ela já tem nome: WELcome Maguila!.
Confira a letra do novo sucesso "Vida de campeão":
Dei um soco na preguiça, Pra moleza não baixei a guarda.
Não calquei a tristeza, Encarei a minha estrada.
Derrubei todas as barreiras, O pessimismo mandei pra lona.
Nunca fui à faculdade, Mas de guerreiro, tenho diploma
Refrão:
Sou lutador, sou de fé, sou brasileiro.
Sou lutador, sou da paz, eu sou guerreiro.
Sou lutador, sou amor, sou coração.
Sou lutador, vencedor (brasileiro) e campeão.
Cada luta que travei me ensinou a ser fiel
A não reclamar de nada, aceitar o que vem do céu
Fui com força e proteção pra vencer mais um duelo
O meu sangue é de raça pois sou verde e amarelo.

domingo, 31 de maio de 2009

CD 2.0: Álbum virtual desburocratiza a música!


A música deu uma guinada de 180° graus com a massificação da internet. Finalmente o monopólio das gravadoras foi de alguma forma afetado, mesmo que ainda de maneira ilegal. De qualquer forma, além dos muitos processos contra quebras de direitos autorais, as grandes gravadoras, para mostrar uma reação, estão sendo obrigadas a repensar os processos e preço dos seus álbuns.

Internet: Prejuízo para alguns, lucro para muitos: com grande histórico de inovação na rede, a gravadora independente Trama, que já possui o famoso portal para bandas independentes (Trama Virtual), agora implementa um novo formato para os seus artistas, o denominado ‘Album Virtual’, que fica disponível para download gratuíto. É um álbum que simula os cd’s convencionais, mas que só é lançado no formato digital. Além disso, utiliza outras potencialidades da internet, como a utilização de vídeos, encarte ‘navegável’ e download de extras. Também é disponibilizado um link de incorporamento, para que o álbum possa ser colocado em outras páginas.

Mas o mais interessante desses álbuns é que eles são financiados por empresas de grande porte, que pagam toda a produção e tem sua marca vinculada ao produto final. Isso possibilita que os músicos se preocupem apenas em fazer seu som, sem pressões mercadológicas para que o álbum possa vender mais. As empresas que patrocinaram essa iniciativa até o momento foram a Volkswagen e a ex-estatal vendida a preço de banana, Vale do Rio Doce.

Cinco artistas já lançaram seus álbuns por esta iniciativa: Tom Zé(que já não está mais disponível para download), Macaco Bong, Cansei de ser sexy, Ed Motta e Móveis Coloniais de Acajú.

DESTAQUE:

O Último dos álbuns lançados é da Móveis Coloniais de Acajú, que é exótica como seu nome. Banda muito interessante que sempre um trabalho voltado para o SKA com muita força de palco e animação, mas que pecava nas suas gravações. Entretanto, o novo álbum dos brasilienses reparou este defeito, dando a consistência que faltava a banda. Trazendo a tendência do ‘Novo Rock Brasileiro’, encabeçado por Los Hermanos, Móveis Coloniais de Acajú traz boas letras e diversidade de instrumentos. Em resumo, vale a pena baixar!

Se der, baixe Macaco Bong também: rock instrumental da melhor qualidade!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

No hablamos español


Com sede de novidades musicais fui a banca comprar a Rolling Stone Brasil (RSBR) de Novembro. Decidi dar mais uma chance para RSBR me provar como eu estava enganado. Entretanto, nas primeiras páginas já vi que minha rusga com a publicação continuaria...

A matéria ‘Sangue Latino’ de Filipe Albuquerque se pergunta porque roqueiros que cantam em espanhol não fazem sucesso no Brasil. A ingenuidade do autor o faz buscar hipóteses engraçadas. Além disso, ele emputa ao ‘consumidor de música’ a culpa por não ouvir os hispânicos.

Bom, ao ler essa matéria fui recorrer ao meu arquivo. Fui procurar nas 7 ou 8 RSBR que tenho para ver quantos artistas hispânicos foram contemplados pela publicação. Não encontrei nenhum. Desafio alguém a encontrar uma notícia sobre estes artistas no site da RSBR.

Então, concluo que no texto de Filipe Alburquerque faltou o principal fator do insucesso dos ‘hermanos’: A escassa cobertura feita pela imprensa brasileira sobre esses artistas. É difícil gostar do que não se conhece. Os poucos que conseguem uma breve exibição em rádios e tv’s, ampliam muito seus fãs no Brasil. Como é o caso de Fito Paez.

Por tudo isso, resolvi postar dois sons em espanhol que gosto e recomendo. Duas bandas argentinas de Folk Rock com muitas influências interessantes.

SEMILLA

A banda formada em Buenos Aires, em 2001, gravou seu primeiro e único disco em 2005. Eles podem ser considerados a perfeita devinição do Folk Rock. Guitarras pesadas com acordes típicos de ritmos clássicos argentinos como o tango e chacarera.

Além disso, a utilização de instrumentos típicos como bumbo leguero, muito utilizado pela música gaúcha. Em ‘vuelve’ temos até uma harmonia de blues. Destaque também para o vocal da também guitarrista Barbara Palacios.

Recomendo bastante essa banda! É a mostra que a música tradicional de um país pode ser incorporada no rock. O que é muito pouco praticado no RS.

ONDA VAGA

Formada de argentinos que se conheceram no Uruguai, o grupo também surgiu em Buenos Aires, em 2007. A banda já apresenta uma boa visibilidade no mercado argentino, tocando em festivais junto com figuras consagradas como R.E.M e The Jesus & Mary Chain. Um pouco menos rock que o Semilla, o grupo usa bastante metais em suas composições, mas o ritmo denuncia que se trata de uma banda argentina.

Assim como o Semilla, apresenta uma percussão interessante. Em seu único álbum, o ‘fuerte y caliente’, a banda traz inclusive uma Bossa Nova: ‘Havana affair’, que é canta em inglês. Pelo bom humor e ampla utilização de metais, a banda lembra os brasilienses do Móveis Coloniais de Acajú.

O Onda Vaga é uma banda interessantíssima, e assim como o Semilla, é um bom som para quem não tem pré-conceitos musicais.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Em busca do 'balaião' perdido!

Com o amplo acesso aos downloads a diminuição na compra de cd’s originais foi brutal. Isso todo mundo sabe. Entretanto, tem ocorrido nos últimos dois anos uma tendência muito interessante: estão indo cada vez mais cd’s novos para o ‘balaio das baratesas’. Isso é muito bom para colecionadores sem dinheiro como eu. Quando tenho tempo e dinheiro, vou a lojas do ramo e cavo as pilhas de cd’s ruins em busca de alguma raridade interessante. Este post será para isso: apresentar alguns cd’s bons e baratos que encontrei nos balaios. Selecionei 3, que considero os melhores.

1) Martin Scorsese Present “The Blues”: Eric Clapton
O cd é de 2003 e integra uma série de documentários idealizada por Martin Scorsese. Destes documentários saíram 5 cd’s com suas trilhas e mais 12 cd’s com coletâneas individuais de alguns artistas. E foi uma dessas coletâneas que encontrei no balaião do BIG. É uma compilação muito boa da carreira de Eric Clapton. Traz os seus rocks mais pesados (época que integrava o Cream) como ‘Spoolfull’ e suas músicas mais blues. A distribuição deste cd no Brasil foi pequena. Então ao encontrá-lo no balaião do BIG, por R$17... não tive dúvida... comprei, apesar de não achar 17 um preço tão barato assim.




2) Riding with the king: B.B. King & Eric Clapton
Considero um dos maiores clássico de todos os do blues. O encontro de um bluseiro da velha guarda, com um dos responsáveis pela fusão do blues com o rock na Inglaterra. Dois grandes guitarristas em um álbum cheio de sentimento e bom humor. Esse eu encontrei em balaião de um shopping de Porto Alegre pela bagatela de R$ 14.



3) Audioslave – Audioslave (2002)
Para mim, está entre os melhores discos de rock dos últimos 10 anos. É o cd de partida de uma possível superbanda que acabou não se afirmando. O Audioslave surge da união do clássico Rage Agains the Machine com o ex-vocalista do Soundgarden, Chris Cornell. Com um instrumental consistente e um vocal matador, o primeiro cd da banda apresenta muitas músicas boas como “Cochise”, “Gasoline”, “Show me how to live” e etc. Foi desencavado de um balaio em Tramandaí. Pena que o Audioslave não manteve-ve o nível nos outros dois cd’s. A banda acabou em 2007, com saída do ‘estrela’ Chris Cornell.


Esses são apenas três, mas já encontrei cd bons e baratos de: Jet, Red Hot, Offspring, B.B. King, Miles Davis, Tony Bennett e Nirvana. Não tenha preguiça... eu sei que dá um desânimo quando se vê aquela pilha de cd’s do Mano Lima e Samba Moleque, mas lá no fundo, bem no fundo, garanto que vai ter uma raridade esquecida.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mombojó: Resenha sem fim


Outubro de 2007. BR-287. Empolgado com a idéia do blog, sento na minha poltrona no ônibus que se dirige a São Luiz Gonzaga e já coloco meus fones. Espero passar as distrações da cidade e acendo as luzinhas do ônibus para iniciar minhas anotações, pois já passavam das sete. Dou play na vitrolinha e aprecio a confusão da música que contrasta com a minha paz interior e a tranqüilidade das vacas que pastam enquanto o sol se esconde rápido. Fecho a cortina e me isolo do clima bucólico, me concentrando cada vez mais na música.

Abro meu bloco vermelho de seis estrelas e olho para o visor do meu toca-discos branco: Mombojó – Cabidela (3:54). Começo minhas anotações. Elas duram quase duas horas e quatro páginas. Vasculho os mínimos detalhes de cada melodia desafiadora dessa banda pernambucana. Atordoado com a carga musical, desligo meu sonzinho e pego no sono até chegar em pagos missioneiros.

Guardo minhas anotações até o momento oportuno para escrever uma resenha bem fundamentada sobre o Mombojó. Entretanto, os dias vão passando, a minha paz de espírito vai diminuindo e meus compromissos vão aumentando. O bloco continua sempre muito usado, mas minhas anotações continuam estáticas. Em uma tarde de trabalho jornalístico, enquanto apertávamos um suspeito de peculato, a gloriosa caderneta vermelha, com um desenho de um gigante atrás, se perdeu. Anotações, telefones, pensamentos, conversas durante a aula e mais coisas pessoais caíram na mão de alguém que leu e riu muito, ou simplesmente jogou no lixo.
Enfim, todo meu trabalho havia ido fora por culpa da minha preguiça. Portanto, resolvi escrever uma resenha mais baseada no coração do que na razão. Acho que é a melhor forma de analisar Mombojó. Instrumentos de sopro, samba, jazz, pitadas eletrônicas com rock pesado e uma pegada nordestina que fecha muito bem essa mistura.

A banda Mombojó é formada por sete jovens recifenses que novamente pegam as raízes do mangue e ligaram a seus computadores, fazendo um som inovador denominado (por eles próprios) Nova MPB. A banda iniciou em 2001, tocando em vários festivais e conseguindo ter uma notabilidade relativa. O som estranho e sedutor chamou atração de muitos críticos. Em 2004, através do Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Recife, conseguiram gravar seu primeiro álbum. NADADENOVO apresenta a jovem banda
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01/08/08
Abro uma pasta de documentos que há muito nem passava os olhos. Além de vários álbuns que havia feito download, encontro esta resenha inacabada. Quase um ano depois, volto a saga que acabou esquecida em uma gaveta do meu computador. Mas decepando o ‘nariz de cera’ vamos ao que interessa: O Mombojó já tem o seu segundo disco que se chama O homem espuma. Eu considero este álbum melhor do que o primeiro. Mombojó é uma banda para quem gosta de conhecer o desconhecido, sem preconceito. Decifrar letras inteligentes e poéticas escondidas atrás de um sotaque atraente. Surpreenda-se.

Baixe os dois álbuns da banda no site: www.mombojo.com.br

terça-feira, 29 de julho de 2008

Rinoceronte no 'MTV procura com Cachorro Grande'


Se lançar no cenário nacional tendo o apoio da MTV é o que muitas bandas brasileiras buscam. Poucas conseguem. Para escolher as novas caras da rede, a MTV faz alguns concursos e programas que possibilitam o acesso de novos grupos a programação do canal.

O novo reality show com este objetivo é o 'MTV procura com Cachorro Grande'. Os beberrões da Cachorro Grande vão vasculhar o sul do Brasil, gravando novas bandas que foram selecionadas pela produção do programa. A previsão de exibição do programa é para Outubro. No final, será escolhida uma das bandas para fazer um show em Porto Alegre com a Cachorro grande.

A caravana do programa chegou segunda-feira, 26 de julho, em Santa Maria. Da boca do monte foram escolhidos dois representantes: Sonnets (que particularmente não conheço) e Rinoceronte.
A gravação da Rinoceronte foi no Macondo. O Hardrock clássico e ao mesmo tempo moderno do power-trio, chamou atenção do pessoal da MTV: “Não sabemos como fomos selecionados. Eles entraram em nosso myspace e deixaram um recado dizendo que havíamos sido selecionados” explica Paulo Noronha, voca lista e guitarrista da banda.

O sigilo não pairou apenas sobre a forma de escolha, mas também sobre a forma do programa: “Parece que serão duas horas de gravação entre as músicas e entrevistas. Só sei isto. Ensaiamos 8 sons, mas não sei quantos vamos gravar” contou Noronha.

Depois da gravação, os segredos foram revelados pela produção da MTV: O programa será exibido a partir do dia 17 de novembro, e terá 9 episódios. Foram escolhidas 16 bandas.

Com uma hora de atraso, chegou o pessoal da produção junto com os integrantes da Cachorro Grande. Logo o show começou. Foram gravadas 4 músicas, mas a banda tocou 8. O som da Rinoceronte já é normalmente empolgante, naquele dia parecia estar ainda melhor, empolgando todo mundo, principalmente o integrantes da Cachorro Grande. Eles gostaram tanto, que ao final do show, puxaram o coro de ‘mais um’.

Quando a Rinoceronte desceu do palco, foi a vez da Cachorro Grande apresentar suas armas. Três dos cinco integrantes da banda fizeram uma Jam session.

Sinceramente, acredito que a Rinoceronte tem boas chances de ser um dos destaques deste programa. Esta convicção ficou mais forte quando vi o tecladista do Cachorro grande, ao sair do bar e entrar em sua van, largar a seguinte frase: “Cara, muito foda esta banda”. Confira abaixo os vídeos que gravei no dia:

Rinoceronte tocando a música Choque:



Cachorro Grande dando uma palhinha no Macondo



Confira outras bandas que foram selecionadas para participar deste programa:
Mundo 47

Lenzi Brothers
Maltines

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Hardrock como me gusta


O Hardrock surgiu no fim da década de 60, quando o rock ainda era muito leve e puro. Por isso, foi batizado com esse nome: “Rock pesado”. Entretanto, trazia características bem marcantes, como a abundância de riffs e solos de guitarras, baixos bem marcados, baterias fulminantes e a grande influência de estilos como o folk e o blues. Mas com o passar dos tempos esse conceito foi se perdendo com a capilarização do rock em várias subdivisões, que não deixam de ser rock pesado, na acepção da palavra, mas são muito diferentes de sua origem.


Em pleno século 21, quase 40 anos depois do surgimento do Hardrock, algumas bandas ainda continuam fazendo esse som, como na sua origem, acrescentando alguns elementos da modernidade. Por isso, resolvi fazer a seleção de algumas bandas que fazem um som pesado, mas situado no seu tempo, sem tentar ser ‘cover’ das bandas consagradas da década de 70.

Sei que muitos vão pensar “Mas essa banda não é Hardrock” ou “mas aquela banda é hardrock e não foi incluída”. Bom, por isso resolvi nomear o CD de ‘Hardrcok como me gusta’. Espero que gostem, e aguardo comentários bastante críticos! Também está a disposição os links dos cd’s que as músicas foram tiradas para quem quiser conhecer mais sobre as bandas.


BAIXE O CD

1- Audioslave – Cochise (3:42)
Música de abertura do primeiro álbum da banda, um dos melhores de rock dos últimos anos. O Audioslave tem mais dois álbuns, mas que não tem a mesma qualidade do primeiro. A banda acabou ano passado com a saída do estrelão Chris Cornell.

2- Wolfmother – Womam (2:55)
Umas das novas bandas mais bem sucedidas e com maior notoriedade, esse power-trio australiano lançou seu primeiro CD (Dimensions) em 2005, mas já tinha dois EP’s. ‘Womam’ é um dos singles desse disco. Destaque ainda para a faixa 7, que leva o mesmo nome do álbum, e para faixa 11, ‘Withcraft’, onde a guitarra divide lugar com uma flauta ao melhor estilo Jethro Tull..

3- The Darkness – Black Shuck (3:21)
Os ingleses do The Darkness são da escola do Glam Rock, como o Queen. Entretanto, algumas das faixas dos seus dois álbuns são bastante pesadas. ‘Black Shuck’ é a faixa abertura do segundo, 'Permission to Land'.

4- Jet – Stand Up (4:33)
Os australianos do Jet conseguiram alcançar boa reconhecimento com o seu primeiro CD, ‘Get Born’ (Muito bom por sinal). Um rock que traz uma evidente influência dos Beatles e Stones. Stand Up é a faixa 9 do segundo CD da banda, ‘Shine on’, que também é bom, mas não melhor que o primeiro.

5- The White Stripes – Little Cream Soda (3:45)
Com certeza o grupo com maior sucesso dessa seleção. Jack e Meg White conseguiram fazer algo novo e ao mesmo tempo velho. Juntaram o rock sujo de garagem com folk, hardrock e o Blues de Robert Johnson. Tudo isso com batidas hipnóticas e sons computadorizados. A dupla tem 6 CD’s, o último foi lançado ano passado. É desse álbum, ‘Icky thump’, que saiu ‘Little Cream Soda’.

6- Stone Temple Pilots – Dumb Love (2:50)
Uma das principais bandas americanas do cenário grunge nos anos 90, na qual faziam parte: Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam, Alice in Chains, entre outras. Têm influências evidentes de hard rock e até mesmo o punk. A banda acabou em 2003. Em janeiro de 2008, o vocalista Scott Weiland afirmou em uma entrevista que a banda voltará aos palcos a partir de maio desse ano. ‘Dumb Love’ é a faixa de abertura do quinto álbum de estúdio da banda, ‘Shangi-lá Dee Da’.

7- Rose Hill Drive – The Guru (5:16)
Trio de jovens de americanos que faz um hardrock que surpreendeu bandas históricas como The Who. Por quem foram convidados para abrir os shows de sua tour em 2007. Lançaram seu primeiro CD em 2006. Esse álbum traz muitas músicas boas: Além de ‘The guru’, destaco ‘Cold Enough’, ‘Cool Cody’, ‘Raise Your Hands’, ‘Reptillian Blues’ e ‘Shakin’ All Over’.

8- The Raconteurs – Store Bought Bones (2:24)
Emcabeçada também por Jack White, o Raconteurs faz um som diferente e bom. Tiveram um hit tocando a exaustão, ‘Steady as she goes’, faixa de abertura do primeiro CD. Esse ano, lançaram o seu segundo álbum: ‘Consoler Of The Lonely’. Mais folk que o primeiro, mas mantém a linha que caracteriza a banda. Store Bought Bones é a sétima faixa do primeiro álbum da banda. Nesse álbum, destaque para ‘Yellow Sun’ e ‘Blue Veins’.

9-Black Mountain – Stormy High (4:34)
Banda canadense que mistura rock psicodélico, com hard, com progressivo e folk. Esse é o primeiro e único CD da banda. Som muito interessante, sombrio e pesado.

10- The Sights –Nodoby (7:30)
Assim como o The White Stripes, é uma banda de Detroit. Faz um som que oscile faixa a faixa do álbum: hora lembra o início dos Beatles, ora os americanos do Grand Funk Railroad. ‘Nodoby’ é a faixa de encerramento do segundo álbum da banda: ‘Got What We Want’. Destaque ainda para ‘Sick and Tired’ e ‘Got What I What’.

11- Silvertide – Aint’t Comin’ Hom (4:04)
Não tenho muitas informações sobre essa banda. Sei que esse álbum é de 2005, e se chama ‘Show & Tell’. Músicas do Silvertide integram a trilha sonora do filme ‘A Dama D'agua’. É um hardrock simples, nada de mais, para falar a verdade. No entanto, gostei bastante dessa música.


12- Velvet Revolver – Little thing (3:57)
Com a base do Guns N’ Roses, a banda tem nos vocais, no álbum Contraband,2004, de onde foi tirada essa música, Scott Weiland, ex-vocalista do Stone Temple Pilots. É um Hardrock clássico do final dos anos 70. A banda lançou um novo álbum o ano passado com o nome de ‘Libertad’. No álbum de 2004, destaque ainda para ‘Sucker Train Blues’.

As duas últimas faixas são de duas bandas locais que fazem um hardrock de qualidade e autoral:
A faixa 13 é ‘Desse Whisky’ (3:28), da Outhouse Birinight Band, banda que já há cinco anos faz esse som pesado, recebendo premiações em festivais, inclusive.

A faixa 14 é de uma banda mais recente: Rinoceronte. Power-Trio que iniciou suas atividades esse ano, mas que pretende ir longe com seu som. A música deles que está no CD é ‘Furacão’ (4:56). O nome mais apropriado para o peso desse som.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

(Sem pretenções) Indiana Willian Jones apresenta: Hazmat Modine


Uma das coisas que mais me atrai na internet é conhecer bandas muito boas, que sem a internet, dificilmente teria notícia. Por isso, reservo horas do meu final de semana para fuçar em blogs de download do mundo todo, em busca de jóias da música mundial desfavorecidas pela mídia.

O meu critério de escolha do que vou baixar não é muito científico: geralmente leio a resenha escrita pelo blogueiro, e aí tiro minhas conclusões. Entretanto, 97% desses blogs não têm nenhuma explicação a mais do que nome e número de faixas do álbum que está disponível pra download. Então apelo para a sorte e baixo pelas capas dos álbuns. Surpreendentemente acerto a maioria dessas investidas.

Certo dia olhando o blog português ‘Raizes e antenas’, vi uma capa que me chamou atenção. Trazia uma harmônica (gaita de boca) que tinha várias tubas saindo de si, com a alcunha de Hazmat Modine. Felizmente havia uma resenha muito bem feita, que me trouxe ainda mais curiosidade: “O álbum começa com uma harmónica visceralmente blues a dar o mote para um reggae fumegante que acaba por fazer lembrar, tudo, em conjunto, o «Summertime», mas como se o «Summertime» tivesse nascido numa intersecção onírica qualquer entre Nova Orleães e Kingston”.

Na hora pensei: “hmm, isso deve ser interessante!”. Fui buscar mais informações sobre essa simbiose de ritmos. No site da banda, eles se definem assim: “HAZMAT MODINE é a junção rica de partes da música americana dos séculos 20's e 30's até à década de 50 e início dos 60's, mistura elementos do início Blues, Hokum Jugband, Swing, Klezmer, New Orleans R & B, e jamaicana Rocksteady. A banda é formada por dois gaitistas, tuba, guitarra, percussão e guitarra de aço havaiana. O som da banda reflete influências musicais que vão desde Avant-garde para Rockabilly Jazz e Western Swing ao Médio-Oriente, Africano, e estilos musicais havaianos”.

A confusão na minha cabeça ficou ainda maior! Então pesquisando mais sobre a banda, encontrei o blog do músico Marcello Ferreira, que classificou como uma das melhores coisas que ouviu no ano de 2007. Marcello, como especialista, faz um parecer efusivo sobre a banda: “Reunindo excelentes músicos, muito bom humor, Blues, Reggae, Country, boas “soluções musicais”, Foxtrot, música caribenha, bom gosto e instrumentos exóticos, o Hazmat Modine chegou a este belo resultado. Uma coisa que mais “salta” aos ouvidos é o bem feito jogo de diferentes timbres nas composições, as vozes versáteis; gaitas; madeiras; metais; percussões; madolins e slides de guitarras [além de cigarras e latidos de cachorro!!]”.

Ao ler esse texto, os 93MB de Hazmat Modine já haviam terminado de baixar. Prontamente me pus a ouvir para matar a curiosidade. Depois de duas audições criteriosas, concordei plenamente com as duas resenhas que havia lido. Fiquei estupefato com a banda e não a tirei mais da minha discoteca ambulante.

Bom, para compartilhar esse ótimo álbum, para pessoas que como eu, não tem como comprar o seu alimento musical, deixarei disponível para download no OpiniãOposta.


Download do álbum Bahamut - Hazmat Modine




sábado, 3 de novembro de 2007

Bretão e com criatividade

Como nascem bandas na Grã-Bretanha! Ultimamente tem surgido tantas bandas que, infelizmente, se criou um estereotipo com as mais recentes: “É mais uma bandinha inglesa”. Admito que muitas dessas se encaixem perfeitamente no rótulo, porém todos sabemos que qualquer generalização é mentirosa.

Por isso, vou falar de uma banda nova banda, que para mim, tem um estilo próprio e diferenciado: The Fratellis.

A banda é formado por Jon Fratelli, Barry Frateli e Mince Fratelli. Fratelli de verdade apenas o baixista Barry, que emprestou seu nome aos companheiros de banda, criando a família The Fratellis.

Os escoceses tem alcançado uma boa repercussão na mídia especializada. Fazem apenas dois anos do seu primeiro show, e o trio de Gasgow já tem um álbum com 3 singles: Costello Music. É uma álbum leve, irreverente e com uma identidade própria, sem deixar de lado o tradicionalismo de alguns sons como o Blues, Folk e Country.

Uma das principais características da banda revela sua origem bretã: a alegria. Assim como Arctic Monkeys e Franz Ferdinand, o The Fratellis é um bom motivo para não permanecer parado enquanto se ouve.

O álbum Costello Music é formado por 13 músicas, com diferentes pegadas. A música de abertura é “Henrietta”, ela dá tônica do que se encontra no resto do álbum. “Flathead” inicia com uma viola e bateria bem ao estilo folk, mas logo já se mistura com fúria adolescente do Fratellis. Também tem vocais interessantes, o refrão me lembra uma música do Rei Leão ou algo assim.

A faixa 3 é “Cuntry boys e city girls”, lembra uma “surf music” da década de 60, mas com uma pegada rock bem forte. Tem também a simplicidade da balada “Whistle For The Choir” e o jeito country de “Vince The Lovable Stoner”. “Doginabag” é blues com os pés no rock, pouco mais sombrio em relação ao resto do álbum...Sensacional! “Chelsea Dagger” e “Creepin Up The Backstairs” mostram toda a vivacidade e ânimo da banda.

Enfim, o “Costello Music” é um ótimo álbum e com certeza o Fratellis não é apenas mais uma banda Bretã. Para quem não tem preconceito musical, é bem humorado e está aberto a coisas novas e diferentes, o The Fratellis é uma ótima experiência.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

CD01 - Injeção de ânimo


Visitando alguns blogs interessantes sobre música, tive uma idéia. Quer dizer, adaptei a idéia que vi no blog IndieNation. Lá eles fazem seleções com os melhores “Indies” do momento. Resolvi fazer algo parecido. Cada semana, vou escolher um tema e garimpar algumas musicas que se encaixam. Toda a segunda-feira vou postar um CD novo. Espero que curtam essa iniciativa.

INJEÇÃO DE ÂNIMO

Ando totalmente atarefado essa semana. Em algumas horas, principalmente na hora de levantar, bate aquele desanimo fulminante! Não há compromisso que faça levantar da cama, ou de me faça ficar acordado no ônibus. Mas, com o advento da nanotecnologia, ficou mais carregar a coleção de músicas.

Por isso, fiz uma seleção musical mais enrijecedora que “Tonoclem”(pelo menos pra mim). Músicas que me passam à animação necessária para agüentar um dia de labuta pesada!

Aí vão as faixas então:


01 - The trashmen - surfin' bird
Clássica e louca! Pra quê melhor que isso? The Trashmen é uma banda americana da década de 60, de surf music e rock de garagem.

02 - Arctic Monkeys - Dancing Shoes
A loucura da não tão nova sensação inglesa, com pitadas do suingue cubano. Quase um carnaval! Música tirada do CD beneficiente para as vitimas do Tsunami, “Rhythms Del Mundo”. Vale a pena conferir, além de Arctic Monkeys, tem outras bandas consagradas fazendo seu som e ritimo cubano!

03 - Ray Charles - Mess around
Esse apesar de ter passado maus bocados durante sua vida, tem músicas que passam uma alegria descomunal! Essa é uma delas!

04 - Red Hot Chili Peppers - Hump de Bump
Sem palavras! Funk ou rock? Rock ou funk? Red Hot Chili Peppers! Pra mim, uma das melhores músicas do grupo. Mais uma vez Flea dá show no baixo! Além de muitos instrumentos e não-intrumentos de sopro e percussão! Sensacional! Destaco também o clipe dessa música: simples, mas muito bom!

05 - Faichecleres - Aninha sem tesão
Banda gaúcha que faz um Rock’n’Roll ninfomaníaco. Seguindo o rumo de Cascavelletes e companhia, a banda faz letras satíricas em músicas muito interessantes!

06 - Demônios da garoa e jair rodriges - Samba da garoa
Sou fã incondicional desse pessoal! Sempre rio um monte com as histórias do Ernesto e sua maloca! Samba-enredo da Rosas de Ouro.

07 - The Yardbirds - Drinking Muddy Water
Primeira banda de Eric Clapton. Essa música é uma versão da “If I had possession” do velho capeta Robert Johnson. Realmente os ingleses beberam um pouco das águas barrentas para executar essa música!


08 – The Fratellis - Creepin Up The Backstairs
Uma das ultimas revelações inglesas. Um trio que faz um rock novo e irreverente, mas com muitas pegadas de Blues e Folk. Se eu fizesse a trilha de Alice no país das maravilhas, a música do Coelho Maluco seria essa!

09 - Forgotten boys - Não vou ficar
Trio Brasileiro que geralmente faz músicas em inglês. Eles tem uma pegada muito boa!

10 - Rage Agains the Machine - Renegades Of Funk
Porque renegados do funk? Um dos melhores Funk-Rocks que já ouvi! A coisa ta começando a ficar dançante!

11 - Jet - Are You Gonna Be My Girl
Essa música faz parte de um dos melhores álbuns do rock nesses últimos tempos, Get Born! Para mim, essa música traz vontade de sair por ai pulando e chutando placas e cachorros!(risos)

12 - Franz Ferdinand - Do You Want To
Para encerrar, mais ingleses... E com certeza eles não poderiam ficar de fora dessa seleção! Franz Ferdinand style.

Para baixar, clique aqui: http://www.4shared.com/file/26582550/c1079465/CD01_-_Injeo_de_nimo.html?dirPwdVerified=9931b7f6
Só faltou Alegria, alegria do Caetano. Bom, mas no meu caso, essa só me deixa irritado!

Era isso! Espero que gostem!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A banda de um homem só


A Bomba explodiu! Devastou e transformou tudo que estava a sua volta. Construiu, desconstruiu, deu origem, sepultou. Até que em uma noite, da maneira mais clássica possível, o algoz dessa fúria saiu dos palcos para entrar na história do Rock n’Roll, como o seu ultimo grande “band líder”. Kurt Cobain tomou sua última dose no dia 5 de abril de 1994, dando fim a um dos fenômenos mais rápidos e intensos que o Rock já viu. Com a morte de Cobain e o conseqüente fim do Nirvana, Chris Novoselic e Dave Grohl decidiram enterrar a banda junto com o corpo de Kurt, para evitar qualquer estigma, ou reacender qualquer fantasma do Nirvana. Os dois também resolveram não tocar mais juntos.

As músicas do Nirvana eram, em maioria, compostas por Kurt. Não havia espaço para as composições de Dave, que as guardou até o fim da banda. Por isso, um ano após o fim do Nirvana, Dave Grohl entrou em estúdio e gravou todos os instrumentos do seu primeiro CD, dando origem a uma banda que foi denominada Foo Fighters. Grohl não desejava que o Foo Fighters fosse um projeto de um homem só. Então foi a procura de músicos para integrarem a sua banda. Arrebanhou os integrantes necessários para fazer shows e em alguns meses o Foo Fighters já tinha singles consagrados. Esse álbum ainda traz muito do peso do Nirvana e para mim é um dos (se não o) melhor da banda.

O sucesso do Foo Fighters foi enorme e em 1997 saiu o segundo CD, “The Colour and the Shape”. Em 1999 veio “There Is Nothing Left to Lose”. No final de 2002, “One by one”. Nesses 7 anos, 4 CD’s, muitos singles e integrantes diferentes. Mas o Foo Fighters tinha uma cara, e era a cara de Dave Grohl. Sucessos como “Big me”, “Learn to fly”, “Times like these”, “All my life” entre vários outros, ergueram o Foo Fighters ao status de grande banda.
Em 2005, ano que completou 10 anos, a banda lançou seu quinto CD, “In your honor”, um duplo meio elétrico, meio acústico. A parte elétrica traz um Foo Fighters tradicional e pesado, de muito bom gosto. Mas é a segunda parte que merece destaque. Desplugado, a banda se transformou e apresentou grandes músicas como “Virginia Moon”, uma Bossa Nova ao melhor estilo Tom Jobim. Esse acústico proporcionou uma turnê. Dave, em entrevista a MTV até brincou que já estava cansado de gritar.

A poucos dias o Foo Fighters lançou seu último CD, “Echoes, Silence, Patience and Grace”. O CD é aberto com “The Pretender” música ao melhor estilo Foo Fighters, relembrando antigos sucessos da banda. Esse estilo permanece até metade do CD, quando a monotonia é quebrada por “Stranger Things Have Happened”, onde Grohl acompanhado por apenas uma viola e um instrumento de percussão, que parece castanholas, desempenha toda sua interpretação no vocal.
Já “Summer's End” lembra um Blues elétrico, enquanto em “The Ballad of the Beaconsfield Miners” dois belos violões duelam em um Folk. Na seqüência, as baladas “Statues” e “Home”, que são acompanhadas por um piano tocado por ele mesmo, (- Sim, acreditem! Ele também toca piano!) Dave Grohl.

“Echoes, Silence, Patience and Grace” prova realmente o que é Foo Fighters: uma banda multifacetada que toca o que gosta e o que quer. Tudo isso graças a genialidade de Dave Grohl, o comandante de uma banda de um homem só!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Lamentos, sugestões e um pouco de marketing pessoal


Música em rádio. As mais pedidas. Comunicação jovem. Eventos patrocinados. Músicas patrocinadas. Cultura patrocinada. A fórmula se repete e não se diz quase nada a respeito. Os meios de comunicação, do ponto de vista de quem os controla, são empresas, e, como qualquer fábrica de chinelos ou loja de produtos hospitalares, possui como objetivo central o lucro. Mas não estamos falando de chinelos, balanças ou qualquer coisa do gênero. Estamos falando de arte, de inspiração, de tradição, de inovação, enfim, do ser humano no exercício da sua expressão enquanto ser social. Sendo então a cultura todo o fazer humano, deve ela ser regida pelas mesmas regras que submetem a compra e venda de qualquer produto? Independentemente de qualquer questionamento o fato é que a música, inserida num contexto mais amplo de coisificação da cultura, é sim produzida e comercializada em escala industrial.

Segundo relatos de profissionais da comunicação e de músicos com os quais tivemos contato, as relações, digamos, mais próximas entre as gravadoras e as rádios datam de meados dos anos 60, o que se pode dizer que marca o início da homogeneização da produção e do consumo musical no Brasil. Se antes cada artesão fazia um tipo de chinelo, tornando assim os custos de matéria-prima e distribuição relativamente altos, agora a indústria produzia a partir de moldes, adaptados aos pés do consumidor médio, e distribuía esse produto por todo o país. Hoje a prática de pagar para um artista ser tocado (conhecida como Jabá) é praticamente institucionalizada em muitas rádios, aliás, isso não ocorre apenas na programação musical das rádios, mas também em programas televisivos, resenhas de jornal e daí por diante. Só não damos nomes às raposas porque não temos dinheiro suficiente para pagar uma assessoria jurídica, mas não é difícil imaginar, basta um zapping na TV nos domingos à tarde para saber do que estamos falando.

Todo esse tratamento da música como produto, que transforma arte em business, restringe, por uma série de motivos, a qualidade do cenário musical mundial. Esse tipo de restrição pode ser notado em vários aspectos da música que toca nas rádios comerciais. As letras das músicas raramente podem ser chamadas de poesia, as soluções melódicas se repetem, os traços regionais são sufocados. Em um país com uma diversidade cultural muito grande como o Brasil, as rádios acabam não representando o contexto local, tocando músicas e artistas que são repetidos incessantemente em qualquer parte do território nacional. Quantas vezes você já ouviu uma banda de Santa Maria nas nossas rádios? Santa Maria é, reconhecidamente, um pólo musical importante no Estado, mas com exceção da música nativista e de uma ou duas bandas que estão inseridas na lógica das gravadoras quase nada do que é feito aqui se ouve nas FMs locais.

Pensando nesses diversos fatores que atravancam o desenvolvimento e divulgação da música, concebemos a idéia de produzir o programa radiofônico Pró-Música, que vai ao ar na Rádio Universidade 800AM, toda a quarta às 23h. O Pró-Música é um programa temático que tem como base dois elementos: apresentar um repertório musical de qualidade e diferenciado, e agregar conhecimento ao ouvinte através da reflexão, da pesquisa musical e de entrevistas com pessoas que possam falar com autoridade sobre o assunto. Música é cultura, portanto, pode trazer consigo todas as expressões que fazem parte do ser humano. Essa idéia mais abrangente de música já guiou o Pró-Música a manifestações históricas como os Festivais de MPB, a orientações literárias como o Dadaísmo, a expressões místicas e religiosas como o Exorcismo, a diversas paisagens naturais do Brasil e ao próprio debate da produção musical na indústria cultural.

A diversidade de assuntos abordados no Pró-Música permitiu o contato com os mais variados gêneros musicais. Sem sair do aconchego do pampa, escolhemos 4 artistas ou bandas do RS que já estiveram no programa para apresentar a você:

Outhouse Birinight Band: Iniciamos com uma sugestão local. A Outhouse é uma banda santa-mariense, e esteve presente no estúdio da Rádio Universidade durante a gravação do 37° Pró-Música, que abordava o Hardrock setentista. A banda iniciou atividades no ano de 2003, e é formada por Alex Bortolloto (Guitarra e voz), Leandro Correa (bateria), Régis Righi (baixo) e Vinicius Brum (Voz).
Esse quarteto faz o tradicional hardrock, pesado e clássico, com influências de Free, Led Zeppelin, Alice Cooper (em sua fase antiga), Grand Funk Railroad, entre outros grandes expoentes do estilo pesado. As letras, em português, retratam as noites da boemia do Rock’n’Roll. Eles também fazem releituras de algumas bandas “das antigas”. A escolha dessas bandas se dá através de uma pesquisa musical feita pelos integrantes, tentando sempre trazer algo novo para o público da banda.
Em agosto desse ano, a banda obteve um ótimo resultado no 5° Festival de Bandas, organizado pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), ficando em segundo lugar. Para quem quiser ouvir a banda ao vivo, eles irão tocar no bar “Santa Ceva”, dia 11 de outubro. Para quem quiser conhecer mais sobre a história da banda acesse: www.outhousebb.blogspot.com .

Artur Aguiar e os Colhedores de Algodão: Também uma banda de Santa Maria que tem três anos de existência e que faz um som guiado pelo Blues elétrico com pegadas de Funk, Soul e Rock. A banda é formada pelo vocalista e guitarrista Artur Aguiar, o baixista Cezar Marqueri, o baterista Rafael Berlezi e pelo tecladista Fabrício Fortes.
Mesclando um Blues pesado com o tradicional, a banda vai levando suas músicas com composições próprias. As suas composições, todas em português, trazem um o cotidiano de um verdadeiro bluseiro, com elementos subjetivos. Segundo os integrantes, as influências da banda seriam as seguintes: Abert King, Buddy Guy, Otis Hush, Ray Charles, Stivie Ray Vaughan, Eric clapton, Cactus, Joe Spencer, Blues Explosion, Jhonny Winter, dentre outros.
A banda lançou um CD em 2005, onde apresentou 8 músicas entre composições próprias e convers de grandes clássicos do Blues. Eles participaram do 26° Pró-Música, onde abordamos a relação entre música e carros.

Jayme Caetano Braum: Pajador missioneiro apresentado no 2º Pró-Música que contou com a participação do jornalista Chico Sosa. Faz parte dos denominados “Troncos Missioneiros” e traz em suas pajadas a virtuose da improvisação além da crítica social tão presente na música Missioneira.
O autor de poesias e de livros permite que o ouvinte perceba a riqueza da música regional do Rio Grande do Sul, afirmando a força do local e ampliando a percepção da riqueza musical do nosso Estado. Consegue com suas pajadas fazer uma narrativa perfeita dos momentos da vida campeira, transmitindo a mesma emoção do momento inspirador da sua arte. Exemplo disso é a pajada “Buchincho”, onde conta o entrevero que teve em um baile de campanha.
Jayme Caetano Braun teve por muito tempo um programa na Rádio Gaúcha. Foi amigo intimo de Mário Quintana, a quem dedicou uma de suas pajadas. Morto em 1999, Braun é necessário para o conhecimento da música da nossa região. E como poeta que era, nada melhor que terminar com suas palavras: “Eu somente quero ser / a mais apagada imagem / deste Rio Grande selvagem / que até morto hei de querer!”.

Vitor Ramil: Este compositor, cantor, músico e escritor pelotense, já consolidado como um dos grandes nomes da música gaúcha, foi o entrevistado na 35ª edição do Pró-Música, quando tratamos de Releituras. No entanto, enquadrar este artista neste tema é quase uma injustiça se considerarmos o nível das poesias e melodias criadas por ele. O irmão mais novo de Kleiton e Kledir assume a herança da música gaúcha e a transforma, fazendo do regional o universal através de misturas inusitadas e não menos brilhantes, capazes de levar milongas para passear em lugares nunca antes imaginados.
Vitor Ramil acabou de lançar seu oitavo Cd, intitulado ‘Satolep Sambatown’, o qual foi gravado em parceria com o percussionista carioca Marcos Suzano. O novo trabalho dá novos ares à proposta desenvolvida pelo gaúcho desde 1997, quando criou a denominada ‘Estética do Frio’, fundamentada em um livro de mesmo nome, lançado juntamente com o CD ‘Ramilonga’. Vitor diz que o novo disco é o seu melhor, mas enquanto não conferimos suas novas músicas apontamos o Cd Tambong, de 2000, como a melhor opção para conhecer o artista.

Os Cd’s da Outhouse Birinight Band e da Artur Aguiar e os Colhedores de Algodão, gravados no Pró-Música, podem ser ouvidos e baixados no site do programa, assim como todas as edições do Pró-Música. O endereço é www.ufsm.br/promusica.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Nas ondas do Blog!


Olá!
É, estou vindo com mais freqüência que de costume a esse ciberespaço. Resolvi mudar a característica de textos esporádicos, para uma atualização diária (até quando vou conseguir). Por isso, hoje quero sugerir que ouçam meu programa de rádio, o Pró-Música, que está com uma temática muito interessante. Blogs como meio de discussão e resgate musical:
E veio a Aldeia Global. O regional torna-se mundial, não há mais recantos inexplorados. Estamos todos em um mesmo contexto, na mesma dimensão, ligados através de vias virtuais. As fronteiras caíram, e uma sociedade comum soergueu-se sobre as facilidades de interação via internet.
A internet possibilitou contatos praticamente impossíveis, dadas intransponíveis barreiras idiomáticas e geográficas que se reduziram a um simples clique no mouse. Nesse ambiente, os conhecimentos circulam livremente como em uma highway, e a música não fica para traz. Dentro desse aparato tecnológico, ela é tema de muito interesse, e alimenta grandes polêmicas virtuais, especialmente no campo do direito autoral e das grandes cifras que costuma movimentar.
O Pró-Música de hoje, contudo, deixa as polêmicas de lado e traz alguns blogs que perpetuam e espalham boa música e conhecimento pela infinita highway da informação. Conversando com o pessoal do programa, estão o jornalista Ricardo Noblat e o estudioso de blues, Marcus Mikhail.

Baixe aqui: http://www.4shared.com/file/24491014/d7db1341/40-_A_msica_atravs_dos_blogs_com_Ricardo_Noblat_e_Marcus_Mikhail.html
O programa vai ao ar toda quarta-feira, às 23h, pelos 800 AM da Rádio Universidade ou no site www.ufsm.br/radio e sexta-feira, pela Web Rádio Universitária, em http://www.radiouniversitaria.com.br/

P.S.: Agradecimento especial ao meu amigo Marcus Mikhail!

PRÓ-MÚSICA
www.ufsm.br/promusica

Espero que vocês gostem!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Icky Thump, Peso clássico


A banda de rock ‘The White Stripes’ lançou no final do mês de junho o seu sexto álbum, ‘Icky Thump’, uma das melhores obras da dupla de Detroit (EUA), formada por Jack e Meg White.
Jack e Meg White na capa de seu novo álbum.
O duo de rock lançou seu primeiro álbum em 1999. Nesses oito anos de carreira, a banda já alcançou marcas invejáveis, se tornando referência do rock de garagem e do estilo minimalista, característico pela batida repetitiva e hipnótica. Com o CD ‘Elephant’, a banda ganhou dois prêmios no ‘Grammy’: melhor álbum de rock alternativo e melhor canção de rock do ano, com ‘Seven Nation Army’.
Porém, o que mais chama atenção nessa banda e o que a diferencia das demais é misturar sons tradicionais, como blues, folk e puro rock & roll, com batidas eletrônicas. Jack White se lançou ano passado com um projeto solo, a banda ‘The Raconteurs’, trabalho paralelo ao ‘The White Stripes’. Logo se ouviu rumores de que a banda havia acabado. Esses boatos caíram por terra quando, no final do mês de junho, a dupla lançou ‘Icky Thump’, talvez o melhor álbum da banda. Maduro e consistente, mantendo a pegada experimental, só que de forma mais acentuada.
Antes do lançamento do CD com todas as músicas, o ‘The White Stripes’ lançou dois discos de vinil, com um ‘single’ da banda cada. O disco que leva a música ‘Icky Thump’ já é o vinil de um único ‘single’ mais vendido do Reino Unido, com dez mil cópias comercializadas em apenas dois dias. Esses vinis têm duas cores: o ‘Icky Thump’ é branco e o ‘Rag and Bone’ é vermelho, cores características da dupla.
Além dessas duas músicas, o CD conta com mais 11 canções. Ouvindo as 13 faixas, se pode captar a essência da banda. Em ‘300mph Torrential Outpoor Blues’ e ‘Catch Hell Blues’, o blues flui com uma viola ao estilo Robert Johnson. Já em ‘Prickly Thorn But Sweetly Warn’, a gaita de fole do folk substitui a guitarra furiosa de Jack White. A fusão entre o folk e rock & roll em doses minimalistas se dá na próxima faixa do álbum, ‘St Andrew This Battle Is In The Ai’r. ‘Little Cream Soda’ é a canção que muda totalmente o estilo da banda e quebra a linearidade. Passa dos sons tradicionais para uma pegada quase ‘heavy metal’ com batidas eletrônicas.
Assim como no segundo álbum da banda, o ‘De Stijl’, de 2000, quando homenagearam um movimento filosófico holandês, o ‘Icky Thump’ também tem uma temática definida. Ele fala da imigração anglo-saxônica para terras americanas. ‘Icky Thump’ é um álbum genial de uma banda genial. Para quem gosta do bom rock & roll de raiz no século XXI, que fuja da linearidade e da classificação de estilos, esta é uma boa opção.

P.S.: Já escrevi um texto sobre o Icky thump em outra postagem, mas mesmo assim, ai vai um texto mais detalhado que escrevi para uma disciplina da faculdade.

sábado, 15 de setembro de 2007

Blues parafraseado...

Despois das férias e de um tempo de subjetividade absoluta, volto as atividades. Hoje quero fazer uma recomendação com as palavras de outra pessoa.

Viajando por blogs de blues, me agradou o encarte de um CD. Resolvi baixar pra ver se o som correspondia à arte da capa. Era muito melhor. Tratava-se da banda sueca Doctor Blues. Foi amor à primeira audição! O Blues dançante com vocais carregados de interpretação da linda Karin Rudefelt.

Fiquei muito fã da banda, mas achei apenas 4 músicas na internet. Certo dia, sem pretensão nenhuma, resolvi deixar um recado no site da banda. Alguns dias depois encontrei no meu e-mail a resposta, assinada pelo guitarrista e líder da banda, Lennart Olofsson. Começamos a nos corresponder, contei que no Brasil era quase impossível encontrar um CD da banda e que também tínhamos uma cena blues interessante. Lennart solidarizou-se e resolveu enviar-me os dois CDs da banda!

Bom, disse que ia receitar essa banda com as palavras de outra pessoa. Essa pessoa é o meu amigo Marcus Mikhail, do blog Blues Masters (http://www.bluesmasters.blogspot.com/). Ele além de fazer uma ótima resenha sobre a banda, entrevistou Karin. Então vamos ao texto de Marcus sobre Doctor Blues e depois a entrevista com a vocalista da banda, Karin Rudefelt.

DOCTOR BLUES (RETIRADO DO BLOG http://www.bluesmasters.blogspot.com/ )

Podemos considerar que o Doctor Blues começou quando o músico sueco Lennart Olofsson encontrou o dinamarquês Dan Bindel em 1980. Suas influências eram o blues do Delta (onde Dan dominava no slide), o estilo mais pesado de Chicago e também o blues inglês da década de 1960. A primeira apresentação do grupo ocorreu em 1981. A banda se firmou na cena de blues especialmente no sul da Suécia assim como na Dinamarca e até o momento passaram pelo grupo até vinte músicos diferentes. Com as diversas formações que teve, o Doctor Blues se apresentou de trio a sexteto ajustando sempre seu repertório de covers a formação. Com o tempo Lennart começou a compor suas próprias composições.
O passo fundamental para a história da banda aconteceu em 1996 quando Karin Rudefelt assume os vocais. Desde então, a banda passa a se chamar “Karin Rudefelt & Doctor Blues”. O primeiro álbum “No Pain No Gain” foi lançado em 2003. Algumas gravações começaram a tocar em rádios italianas, suecas e inclusive rádios americana. E foi dos EUA que partiram elogios à banda através da Blues Revue Magazine. A partir daí, o grupo tocou nos mais diversos clubes de toda Suécia e participou de festivais importantes na Europa. Cada vez mais a banda procura introduzir inovações em seu som e investe em material próprio sem esquecer das características tradicionais do Blues.
Essa crescente evolução da banda e a excelente repercussão do primeiro disco, despertou o interesse de produtores europeus para a concretização do segundo registro oficial da banda: “Breakin’ The Chain”, finalizado e lançado em 2006.
Karin Rudefelt & Doctor Blues é:
Karin Rudefelt – vocalLennart Olofsson – guitarra e vocalAnders Wemming – guitarra, slide e harmônica
Lennart Lundberg – baixo
Tobias Magnusson – bateria

Mais informações: Official Website / My Space
Para conhecer o som da banda:
You Need a Roadmap (de "No Pain No Gain" - 2003)
My Man Won't Set Me Free (de "Breakin' The Chain" - 2006)

Karin Rudefelt é vocalista da banda sueca Doctor Blues a mais de 10 anos. A banda já apareceu aqui anteriormente e Karin concedeu uma entrevista ao Blues Masters. Ela conta curiosidades de sua carreira e até o que gostaria de escutar dos músicos de blues aqui do Brasil.


BLUES MASTERS: Você se juntou ao Dr Blues em 1997. Como era sua carreira musical antes dessa data ?KARIN RUDEFELT: A primeira banda que participei era na época uma banda punk. Estive em diversas bandas desde o começo do anos 90. Com o Doctor Blues me senti em casa, e já é a banda na qual passei mais tempo como vocalista.


BM: Consegue lembrar qual foi a música ou álbum que causou tanto impacto em você, fazendo com que tomasse a decisão de seguir a carreira musical ? KR: Eu até gostaria, mas não acho que é possível escolher apenas um agora. Mas posso lembrar que sempre tive uma necessidade quase compulsiva de cantar em diferentes estilos, sempre tentando soltar minha voz colocando meu próprio estilo. Tenho uma enorme admiração por vozes em geral.

BM: Quais cantoras de Blues mais te influenciam? KR: Bonnie Raitt, sem dúvida. Ela é única. Eu me deparei com um CD dela em uma loja em Los Angeles em 1995. Lembro que no momento pensei que aquele era um álbum ‘bluesy’ demais para gastar um dólar nele. Mas, acabou se tornando o dinheiro mais bem gasto! Ela me arrebatou completamente e continua me inspirando mais e mais. Obviamente, existem muitas outras importantes a serem mencionados aqui, como: Beth Hart, Norah Jones, Eve Cassidy, Aretha Franklin, Sheryl Crow, Sass Jordan…

BM: Algum artista em especial na Suécia influenciou sua carreira musical ?KR: A artista sueca de Blues/Rock/Pop Louise Hoffsten teve uma grande influência sobre mim no começo. Ela é uma incrível e versátil compositora. Cantei muitas vezes suas composições em diversas bandas. Tudo que Louise faz é enraizado no blues, algo que eu não percebia quando era mais jovem. Então, quando tive a chance de cantar blues realizei tudo que queria. Apenas não tinha rotulado aquilo como blues. Louise também toca harmônica e é uma pessoa muito simpática. You go girl! Se você quiser conferir seu trabalho, recomendo especialmente os álbuns Rhythm & Blonde (1993) e Six (1995).

BM: Tenho observado através de pesquisas uma quantidade enorme de bandas de blues na Europa. Como tem sido a aceitação do som do Dr. Blues dentro e fora da Suécia ? KR: A Internet criou oportunidades maravilhosas para contatar pessoas (como agora !). Sei que nossa música é tocada freqüentemente em rádios da Itália e da Macedônia, o que é muito bom! Na Suécia nós temos bons comentários de nossos shows e diversos lugares realmente legais para tocar. Tocar em lugares diferentes pode ser atualmente um grande caminho para conhecer seu país.

BM: Desde que publiquei a história do grupo no blog, venho recebendo comentários positivos sobre o som da banda! E a aceitação de sua música nos EUA ?KR: É ótimo escutar isso! Nós tivemos muitos comentários positivos a respeito de nosso primeiro álbum, auto-intitulado Doctor Blues, na maior revista de blues da América, Blues Revue. Existe uma curta e curiosa história sobre isso: Lennart (guitarra) colocou um CD nosso em um envelope e escreveu “smoke this Swedish blues” – sem carta ou qualquer outra coisa- e enviou para a Blues Revue. Algumas semanas depois nós tivemos o comentário na revista.

BM: Conte-nos mais a respeito dos festivais de blues na Europa. KR: Devo admitir que não tenho muito conhecimento sobre o blues na Europa. O blues tem sido sempre americano e sueco para mim. Gostaria de ir a mais festivais na Europa e é claro que existem grandes bandas esperando para serem descobertas a muito tempo.

BM: Como compara a aceitação dos álbuns “No Pain No Gain” e “Breakin’ The Chain” ?KR: Faz sentido dizer que o primeiro álbum teve mais atenção, talvez por ser o primeiro. É um pouco mais tradicional – mais ‘old school’. "Breakin’ The Chain" é mais experimental, mais versátil, com mais influências de outros gêneros. Acho que o próximo será assim também. Gosto quando o blues é misturado com o rock, funk ou soul.

BM: Algum novo trabalho pronto para ser lançado pelo Dr. Blues ? KR: Estamos pensando entrar em estúdio novamente no outono. Mas é claro que sempre vou continuar atenta a aceitação dos trabalhos anteriores.

BM: Alguma chance de ver a banda na América do Sul em breve ?
KR: Se você nos contratar, nós vamos! (risos) Seria maravilhoso! Eu nunca fui até a Américia do Sul e adoraria ir! Infelizmente, não temos planos para isso no momento.

BM: Obrigado pela entrevista! Deixe seu recado para os leitores do Blues Masters e fãs do Blues no Brasil. KR: Como falei anteriormente, adoro quando o blues se desenvolve e interage com outros gêneros. Acredito que o blues vem sendo protegido de forma muito tradicional e precisa se desenvolver para manter o interesse do público e também conquistar os músicos mais jovens. Desafio seus leitores a fazerem sua própria mistura de ‘hot blues’ com ‘hot samba’ com alguns instrumentos de percussão. Isso que eu gostaria de ouvir!

Para ver o que já foi publicado sobre Karin Rudefelt & Dr. Blues clique aqui .
Doctor Blues Official Website

domingo, 26 de agosto de 2007

Um dia você vai servir a alguém


O post de hoje é sobre algo que conheci há poucos dias, mas que me conquistou nas primeiras frases. É a versão feita pelo cantor gaúcho Vitor Ramil, da música “Gotta Serve Somebody” do incansável Bob Dylan. Confesso que pouco conhecia sobre a carreira de Vitor Ramil, mas me impressionei com a roupagem brasileira que ele deu as idéias do Bob. Ramil juntou algumas Idiossincrasias tupiniquins e ao lado do ótimo letrista Lenine, bradou um retrato perfeito da sociedade brasileira.
Em entrevista ao meu programa de rádio, Vitor fala com é vercionar um gênio como Bob Dylan: “(...)Pra mim é muito desafiador a forma dele. Eu sou muito simétrico e não sou um letrista verborrágico, e o Dylan é totalmente o contrário disso. É um cara que as letras, além de serem grandes, são de uma forma, do ponto de vista da melodia, caótica. Cada verso ela canta de um jeito(...)”.

A música se encontra no álbum Tambong, de 2000. Vejamos a letra então:

Você pode ser rei no país do futebol
Pode ser viciado em bingo e nunca ver a luz do sol
Você pode ser um mago e vender livros de montão
Pode ser uma socialite, enriquecer vendendo pão

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Pode ser incendiário e fazer um índio arder
Você pode ser o índio vendo a chama acender
Pode ser um bom ladrão, pode ser um mau juiz
Pode ter um passado limpo, pode ter uma cicatriz

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode estar na mídia sem saber porque
Você pode ser dono de uma rede de TV
Você pode dar o fora tendo tudo pra ficar
Adotar um nome diferente, você pode mesmo se isolar

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode trabalhar na construção civil
Pode estar desempregado, com a vida por um fio
Você pode ter poder, fazer coisas que ninguém fizer
Pode ter mulheres numa jaula, pode ter as drogas que quiser
Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode desejar a cura com Lacan
Você pode procurar os serviços de um xamã
Você pode ser um pregador, chutar os santos do altar
Você pode ter um bom discurso, você pode nem saber falar

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode ser demente, pode ser doutor
Você pode ser sincero, pode ter rancor
Você pode ser um crente, você pode ser ateu
Pode ser um leitor vaidoso ou uma miss que nunca leu

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode ser turco, pode ser nissei
Pode estar ali na esquina, estar onde jamais pensei
Você pode me adular, você pode me esquecer
Você pode estar me ouvindo agora, você pode mesmo nem saber

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Bom, aí vai o link caso queira ou ouvir o meu programa de rádio onde tratamos de versões e entrevistamos Vitor Ramil.

http://www.rotasulbus.com/promusica800am/pm35.html

Por hoje era só! Grande abraço!