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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios: Tarantino em sua fase mais sangrenta

Poucos diretores conseguem passar tão bem suas marcas e convicções para película como Quentin Tarantino. Confesso que não sou um especialista nos filmes dele, mas os 6 que vi carregam características sui generes. Ninguém sabe construir melhor os seus personagens como Tarantino. Nem que isso lhe custe grandes diálogos, muitas vezes até bem chatos, mas imprescindíveis para apresentação dos bons personagens construídos. Longos diálogos, intercalados com segundos de pura ação.

Sua sede por sangue também é elemento que não falta em seus filmes. Cabeças cortadas, pernas que voam, acidentes de carros muito bem feitos. Acrescente à estas cenas de muito sangue trilhas fortes e envolventes. As trilhas do Tarantino são tão fortes que sempre que se ouve alguma, logo se lembra de alguma de suas cenas memorável.

Com certeza “Bastardos Inglórios” é um legítimo filme do Tarantino. Talvez o melhor que eu tenha visto. O filme conta a história de um batalhão americano especial que tem apenas uma finalidade: Matar nazistas e tirar seus escalpos. O filme é muito bem ambientado na França dos anos 1940, que está ocupada por tropas nazistas.

A boa escolha dos atores foi fundamental para qualidade do filme. Brad Pitt dá show fazendo o estereotipado tenente ‘Aldo Raine’. O vilão do filme, Coronel Hans Landa (muito bem interpretado por Christoph Waltz), feroz caçador de judeus, é um daqueles personagens que mesmo sendo vilões, despertam uma certa simpatia do público com seu vigor psicopata.



Resumindo, ‘Bastardos inglórios’ é um ‘Tarantino’ legítimo, politicamente incorreto e não recomendado para pessoas de estômago fraco!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Them Crooked Vultures = Foo Fighters + QOTSA + Led Zeppelin = (power trio)³


Desafio qualquer um a achar um amante do rock que não tenha montado, na imaginação, a sua banda dos sonhos. É Ozzy fazendo dueto com Tarja Turunen, John Lennon fazendo base para Noel Galleguer, James Brown dividindo o palco com o Red Hot... Enfim... tudo que imaginação permitir.

Entretanto, são poucas as ocorrências deste tipo de fenômeno na curta história do Rock.

Suponho que estejamos diante de um desses fenômenos! Them Crooked Vultures: John Paul Jones (Led Zeppelin), Josh Homme (Queens of the Stone Age e Kyuss) e Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters) formaram um legítimo power-trio de Hardrock. O trio de peso já tem dois sons rolando por aí, além de vídeos de shows disponíveis no YouTube.

Em ‘New Fang’, o grupo mostra que realmente se trata da fusão dos projetos principais dos integrantes da banda. Nota-se facilmente a virtuose do Led Zeppelin, o ritmo desritmado do Queens of the Stone Age e os sempre potentes vocais e bateria do Foo Fighters:

Curti bastante esse som, 'Elephants', que foi disponibilizado na versão de ensaio em estúdio:




Confesso que realmente estou empolgado e aguardo com ansiedade o lançamento do álbum completo, que será em 17 de novembro.

Link relacionados

http://www.themcrookedvultures.com/
http://www.myspace.com/crookedvultures
http://www.youtube.com/user/themcrookedvultures
http://www.facebook.com/crookedvultures

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ratos de um mar de ironia

Tenho um preconceito cerebral ao ouvir álbuns novos de bandas que gosto. Não peça pra explica, mas geralmente é assim... Fico na expectativa para ouvir e depois acabo me decepcionando e deixo de ouvir o álbum! É, não tente entender porque realmente é complicado. Mas o fato mais intrigante é que depois de alguns meses, quando por acaso volto a ouvir o álbum, volto a ouvi-lo e aí não paro mais!

Isso aconteceu com o novo do Kings of Leon (Only By The Night), do Jet (Shaka Rock) e o do Arctic Monkeys (Humbug).

Entretanto, hoje quero falar de um álbum que curti de prima: ‘No One's first and you're next’ do Modest Mouse.

Conheci a banda pelo álbum de 2007, que tem músicas sensacionais que oscilam entre o mais dançante ao mais progressivo que se conhece no meio indie. No novo álbum recém lançado a variação é um pouco menor, mantendo a tendência mais progressiva. Também se mantiveram duas características que me fazem gostar bastante dessa banda: a pluralidade de instrumentos e a irreverência do vocal.

Outro ponto muito bom da banda são os clipes. Com propostas engraçadas e satíricas, as produções da banda sempre trazem algum elemento do mar, como ‘King Rat’, de uma das músicas do álbum novo:

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Seja os Beatles, compre os Beatles!


O legado dos Beatles já pode ser considerado uma obra universalizada e muito rentável. Assim como os clássicos da literatura, os sucessos da banda são reeditados, relançados, relidos, reformatados, a exaustão. Nessa onda surgem: Beatles em chorinho, Beatles em blues, Beatles em canções de ninar, Beatles em fotos, Beatles em poemas... Enfim, em tudo que possa ser vendido a legião de fãs da banda.

No meio dessa enxurrada de ‘releituras’, em todos os idiomas possíveis, o que prospera, em termos de ‘arte’, são as boas interpretações da obra dos Beatles.

Interpretações que carreguem consigo a essência de cada canção do quarteto. E afirmo com convicção, menos de 10% ‘releituras’ carregam a essência da obra original.

Como um tsunami nesse mar de cópias, surge o The Beatles Rock Band: O ‘Guitar Hero’ adaptado a temática Beatles, ou seja, a fusão de dois sucessos de venda. Apesar do jogo ter me parecido simples demais diante da riquesa da temática, me rendo a interpretação gráfica que foi dada ao jogo.

A reprodução dos ambientes, dentro do que se conhece, é perfeita. O vídeo que foi lançado para divulgar o jogo, mostra toda a qualidade e cuidado com a produção, apresentando diferentes traços para retratar diferentes fases dos Beatles. Achei realmente genial:


The Beatles Rock Band, a exemplo do filme ‘Across the universe’ e do álbum ‘The Love’, é um ótimo exemplo de obra que conseguiu manter a essência da obra original.

domingo, 31 de maio de 2009

CD 2.0: Álbum virtual desburocratiza a música!


A música deu uma guinada de 180° graus com a massificação da internet. Finalmente o monopólio das gravadoras foi de alguma forma afetado, mesmo que ainda de maneira ilegal. De qualquer forma, além dos muitos processos contra quebras de direitos autorais, as grandes gravadoras, para mostrar uma reação, estão sendo obrigadas a repensar os processos e preço dos seus álbuns.

Internet: Prejuízo para alguns, lucro para muitos: com grande histórico de inovação na rede, a gravadora independente Trama, que já possui o famoso portal para bandas independentes (Trama Virtual), agora implementa um novo formato para os seus artistas, o denominado ‘Album Virtual’, que fica disponível para download gratuíto. É um álbum que simula os cd’s convencionais, mas que só é lançado no formato digital. Além disso, utiliza outras potencialidades da internet, como a utilização de vídeos, encarte ‘navegável’ e download de extras. Também é disponibilizado um link de incorporamento, para que o álbum possa ser colocado em outras páginas.

Mas o mais interessante desses álbuns é que eles são financiados por empresas de grande porte, que pagam toda a produção e tem sua marca vinculada ao produto final. Isso possibilita que os músicos se preocupem apenas em fazer seu som, sem pressões mercadológicas para que o álbum possa vender mais. As empresas que patrocinaram essa iniciativa até o momento foram a Volkswagen e a ex-estatal vendida a preço de banana, Vale do Rio Doce.

Cinco artistas já lançaram seus álbuns por esta iniciativa: Tom Zé(que já não está mais disponível para download), Macaco Bong, Cansei de ser sexy, Ed Motta e Móveis Coloniais de Acajú.

DESTAQUE:

O Último dos álbuns lançados é da Móveis Coloniais de Acajú, que é exótica como seu nome. Banda muito interessante que sempre um trabalho voltado para o SKA com muita força de palco e animação, mas que pecava nas suas gravações. Entretanto, o novo álbum dos brasilienses reparou este defeito, dando a consistência que faltava a banda. Trazendo a tendência do ‘Novo Rock Brasileiro’, encabeçado por Los Hermanos, Móveis Coloniais de Acajú traz boas letras e diversidade de instrumentos. Em resumo, vale a pena baixar!

Se der, baixe Macaco Bong também: rock instrumental da melhor qualidade!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Rinoceronte no 'MTV procura com Cachorro Grande'


Se lançar no cenário nacional tendo o apoio da MTV é o que muitas bandas brasileiras buscam. Poucas conseguem. Para escolher as novas caras da rede, a MTV faz alguns concursos e programas que possibilitam o acesso de novos grupos a programação do canal.

O novo reality show com este objetivo é o 'MTV procura com Cachorro Grande'. Os beberrões da Cachorro Grande vão vasculhar o sul do Brasil, gravando novas bandas que foram selecionadas pela produção do programa. A previsão de exibição do programa é para Outubro. No final, será escolhida uma das bandas para fazer um show em Porto Alegre com a Cachorro grande.

A caravana do programa chegou segunda-feira, 26 de julho, em Santa Maria. Da boca do monte foram escolhidos dois representantes: Sonnets (que particularmente não conheço) e Rinoceronte.
A gravação da Rinoceronte foi no Macondo. O Hardrock clássico e ao mesmo tempo moderno do power-trio, chamou atenção do pessoal da MTV: “Não sabemos como fomos selecionados. Eles entraram em nosso myspace e deixaram um recado dizendo que havíamos sido selecionados” explica Paulo Noronha, voca lista e guitarrista da banda.

O sigilo não pairou apenas sobre a forma de escolha, mas também sobre a forma do programa: “Parece que serão duas horas de gravação entre as músicas e entrevistas. Só sei isto. Ensaiamos 8 sons, mas não sei quantos vamos gravar” contou Noronha.

Depois da gravação, os segredos foram revelados pela produção da MTV: O programa será exibido a partir do dia 17 de novembro, e terá 9 episódios. Foram escolhidas 16 bandas.

Com uma hora de atraso, chegou o pessoal da produção junto com os integrantes da Cachorro Grande. Logo o show começou. Foram gravadas 4 músicas, mas a banda tocou 8. O som da Rinoceronte já é normalmente empolgante, naquele dia parecia estar ainda melhor, empolgando todo mundo, principalmente o integrantes da Cachorro Grande. Eles gostaram tanto, que ao final do show, puxaram o coro de ‘mais um’.

Quando a Rinoceronte desceu do palco, foi a vez da Cachorro Grande apresentar suas armas. Três dos cinco integrantes da banda fizeram uma Jam session.

Sinceramente, acredito que a Rinoceronte tem boas chances de ser um dos destaques deste programa. Esta convicção ficou mais forte quando vi o tecladista do Cachorro grande, ao sair do bar e entrar em sua van, largar a seguinte frase: “Cara, muito foda esta banda”. Confira abaixo os vídeos que gravei no dia:

Rinoceronte tocando a música Choque:



Cachorro Grande dando uma palhinha no Macondo



Confira outras bandas que foram selecionadas para participar deste programa:
Mundo 47

Lenzi Brothers
Maltines

sábado, 12 de julho de 2008

Mosca azul causa surto de gangrena no poder judiciário

Em tempos de crise moral, poucas instituições brasileiras mantêm uma boa imagem diante da opinião pública. A condição insalubre da política, a homofobia e abuso de poder do exército e a putrefação da educação básica, são alguns dos fatores que fortalecem a descrença do povo brasileiro na estrutura social do seu país.

Talvez o poder judiciário, até agora, fosse o poder menos afetado por escândalos. Pelo menos dos que vem a tona.

Mas...quando a Polícia Federal resolveu mexer em um esquema há muito instituído, e que movimentava grandes cifras, envolvendo muitos políticos e empresários do país, a maior corte do poder judiciário se manifestou para manter a ordem. A ordem do bandido, não a ordem ética.

O ministro do STF, Gilmar Mendes resolveu soltar Daniel Dantas, o grande chefe do esquema, porque ele não apresentava perigos ao andamento da investigação. Além disso, considerou que não haviam provas suficientes para prendê-lo, assim desautorizando a decisão do juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo.

Gilmar ainda chamou Fausto de insurgente, pelas suas atitudes que contrariavam as decisões da corte superior. Entretanto, Fausto de Sanctis teve o apoio de muitas organizações ligadas ao exercício do direito.

Sobre o caso, faço as pazes com o Jabor e uso uma citação dele para me posicionar sobre o caso: “A polícia federal tem entrado com um corte cirúrgico nesse problema. Com Grande eficiência.(...) E alguns juristas ainda reclamam: ‘A polícia federal dá show para mídia’. E daí? A mídia não é um palavrão. É o canal por onde o povo vê o país. Ao invés de se inquietar com a eficiência da polícia, o judiciário deveria se preocupar com a imagem que a população desinformada tem dele: ‘Ah! A polícia prende e a justiça solta’. O judiciário precisava também ser aplaudido na mídia.

Confira o comentário de Arnaldo Jabor na íntegra:

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Icky Thump, Peso clássico


A banda de rock ‘The White Stripes’ lançou no final do mês de junho o seu sexto álbum, ‘Icky Thump’, uma das melhores obras da dupla de Detroit (EUA), formada por Jack e Meg White.
Jack e Meg White na capa de seu novo álbum.
O duo de rock lançou seu primeiro álbum em 1999. Nesses oito anos de carreira, a banda já alcançou marcas invejáveis, se tornando referência do rock de garagem e do estilo minimalista, característico pela batida repetitiva e hipnótica. Com o CD ‘Elephant’, a banda ganhou dois prêmios no ‘Grammy’: melhor álbum de rock alternativo e melhor canção de rock do ano, com ‘Seven Nation Army’.
Porém, o que mais chama atenção nessa banda e o que a diferencia das demais é misturar sons tradicionais, como blues, folk e puro rock & roll, com batidas eletrônicas. Jack White se lançou ano passado com um projeto solo, a banda ‘The Raconteurs’, trabalho paralelo ao ‘The White Stripes’. Logo se ouviu rumores de que a banda havia acabado. Esses boatos caíram por terra quando, no final do mês de junho, a dupla lançou ‘Icky Thump’, talvez o melhor álbum da banda. Maduro e consistente, mantendo a pegada experimental, só que de forma mais acentuada.
Antes do lançamento do CD com todas as músicas, o ‘The White Stripes’ lançou dois discos de vinil, com um ‘single’ da banda cada. O disco que leva a música ‘Icky Thump’ já é o vinil de um único ‘single’ mais vendido do Reino Unido, com dez mil cópias comercializadas em apenas dois dias. Esses vinis têm duas cores: o ‘Icky Thump’ é branco e o ‘Rag and Bone’ é vermelho, cores características da dupla.
Além dessas duas músicas, o CD conta com mais 11 canções. Ouvindo as 13 faixas, se pode captar a essência da banda. Em ‘300mph Torrential Outpoor Blues’ e ‘Catch Hell Blues’, o blues flui com uma viola ao estilo Robert Johnson. Já em ‘Prickly Thorn But Sweetly Warn’, a gaita de fole do folk substitui a guitarra furiosa de Jack White. A fusão entre o folk e rock & roll em doses minimalistas se dá na próxima faixa do álbum, ‘St Andrew This Battle Is In The Ai’r. ‘Little Cream Soda’ é a canção que muda totalmente o estilo da banda e quebra a linearidade. Passa dos sons tradicionais para uma pegada quase ‘heavy metal’ com batidas eletrônicas.
Assim como no segundo álbum da banda, o ‘De Stijl’, de 2000, quando homenagearam um movimento filosófico holandês, o ‘Icky Thump’ também tem uma temática definida. Ele fala da imigração anglo-saxônica para terras americanas. ‘Icky Thump’ é um álbum genial de uma banda genial. Para quem gosta do bom rock & roll de raiz no século XXI, que fuja da linearidade e da classificação de estilos, esta é uma boa opção.

P.S.: Já escrevi um texto sobre o Icky thump em outra postagem, mas mesmo assim, ai vai um texto mais detalhado que escrevi para uma disciplina da faculdade.

sábado, 15 de setembro de 2007

Blues parafraseado...

Despois das férias e de um tempo de subjetividade absoluta, volto as atividades. Hoje quero fazer uma recomendação com as palavras de outra pessoa.

Viajando por blogs de blues, me agradou o encarte de um CD. Resolvi baixar pra ver se o som correspondia à arte da capa. Era muito melhor. Tratava-se da banda sueca Doctor Blues. Foi amor à primeira audição! O Blues dançante com vocais carregados de interpretação da linda Karin Rudefelt.

Fiquei muito fã da banda, mas achei apenas 4 músicas na internet. Certo dia, sem pretensão nenhuma, resolvi deixar um recado no site da banda. Alguns dias depois encontrei no meu e-mail a resposta, assinada pelo guitarrista e líder da banda, Lennart Olofsson. Começamos a nos corresponder, contei que no Brasil era quase impossível encontrar um CD da banda e que também tínhamos uma cena blues interessante. Lennart solidarizou-se e resolveu enviar-me os dois CDs da banda!

Bom, disse que ia receitar essa banda com as palavras de outra pessoa. Essa pessoa é o meu amigo Marcus Mikhail, do blog Blues Masters (http://www.bluesmasters.blogspot.com/). Ele além de fazer uma ótima resenha sobre a banda, entrevistou Karin. Então vamos ao texto de Marcus sobre Doctor Blues e depois a entrevista com a vocalista da banda, Karin Rudefelt.

DOCTOR BLUES (RETIRADO DO BLOG http://www.bluesmasters.blogspot.com/ )

Podemos considerar que o Doctor Blues começou quando o músico sueco Lennart Olofsson encontrou o dinamarquês Dan Bindel em 1980. Suas influências eram o blues do Delta (onde Dan dominava no slide), o estilo mais pesado de Chicago e também o blues inglês da década de 1960. A primeira apresentação do grupo ocorreu em 1981. A banda se firmou na cena de blues especialmente no sul da Suécia assim como na Dinamarca e até o momento passaram pelo grupo até vinte músicos diferentes. Com as diversas formações que teve, o Doctor Blues se apresentou de trio a sexteto ajustando sempre seu repertório de covers a formação. Com o tempo Lennart começou a compor suas próprias composições.
O passo fundamental para a história da banda aconteceu em 1996 quando Karin Rudefelt assume os vocais. Desde então, a banda passa a se chamar “Karin Rudefelt & Doctor Blues”. O primeiro álbum “No Pain No Gain” foi lançado em 2003. Algumas gravações começaram a tocar em rádios italianas, suecas e inclusive rádios americana. E foi dos EUA que partiram elogios à banda através da Blues Revue Magazine. A partir daí, o grupo tocou nos mais diversos clubes de toda Suécia e participou de festivais importantes na Europa. Cada vez mais a banda procura introduzir inovações em seu som e investe em material próprio sem esquecer das características tradicionais do Blues.
Essa crescente evolução da banda e a excelente repercussão do primeiro disco, despertou o interesse de produtores europeus para a concretização do segundo registro oficial da banda: “Breakin’ The Chain”, finalizado e lançado em 2006.
Karin Rudefelt & Doctor Blues é:
Karin Rudefelt – vocalLennart Olofsson – guitarra e vocalAnders Wemming – guitarra, slide e harmônica
Lennart Lundberg – baixo
Tobias Magnusson – bateria

Mais informações: Official Website / My Space
Para conhecer o som da banda:
You Need a Roadmap (de "No Pain No Gain" - 2003)
My Man Won't Set Me Free (de "Breakin' The Chain" - 2006)

Karin Rudefelt é vocalista da banda sueca Doctor Blues a mais de 10 anos. A banda já apareceu aqui anteriormente e Karin concedeu uma entrevista ao Blues Masters. Ela conta curiosidades de sua carreira e até o que gostaria de escutar dos músicos de blues aqui do Brasil.


BLUES MASTERS: Você se juntou ao Dr Blues em 1997. Como era sua carreira musical antes dessa data ?KARIN RUDEFELT: A primeira banda que participei era na época uma banda punk. Estive em diversas bandas desde o começo do anos 90. Com o Doctor Blues me senti em casa, e já é a banda na qual passei mais tempo como vocalista.


BM: Consegue lembrar qual foi a música ou álbum que causou tanto impacto em você, fazendo com que tomasse a decisão de seguir a carreira musical ? KR: Eu até gostaria, mas não acho que é possível escolher apenas um agora. Mas posso lembrar que sempre tive uma necessidade quase compulsiva de cantar em diferentes estilos, sempre tentando soltar minha voz colocando meu próprio estilo. Tenho uma enorme admiração por vozes em geral.

BM: Quais cantoras de Blues mais te influenciam? KR: Bonnie Raitt, sem dúvida. Ela é única. Eu me deparei com um CD dela em uma loja em Los Angeles em 1995. Lembro que no momento pensei que aquele era um álbum ‘bluesy’ demais para gastar um dólar nele. Mas, acabou se tornando o dinheiro mais bem gasto! Ela me arrebatou completamente e continua me inspirando mais e mais. Obviamente, existem muitas outras importantes a serem mencionados aqui, como: Beth Hart, Norah Jones, Eve Cassidy, Aretha Franklin, Sheryl Crow, Sass Jordan…

BM: Algum artista em especial na Suécia influenciou sua carreira musical ?KR: A artista sueca de Blues/Rock/Pop Louise Hoffsten teve uma grande influência sobre mim no começo. Ela é uma incrível e versátil compositora. Cantei muitas vezes suas composições em diversas bandas. Tudo que Louise faz é enraizado no blues, algo que eu não percebia quando era mais jovem. Então, quando tive a chance de cantar blues realizei tudo que queria. Apenas não tinha rotulado aquilo como blues. Louise também toca harmônica e é uma pessoa muito simpática. You go girl! Se você quiser conferir seu trabalho, recomendo especialmente os álbuns Rhythm & Blonde (1993) e Six (1995).

BM: Tenho observado através de pesquisas uma quantidade enorme de bandas de blues na Europa. Como tem sido a aceitação do som do Dr. Blues dentro e fora da Suécia ? KR: A Internet criou oportunidades maravilhosas para contatar pessoas (como agora !). Sei que nossa música é tocada freqüentemente em rádios da Itália e da Macedônia, o que é muito bom! Na Suécia nós temos bons comentários de nossos shows e diversos lugares realmente legais para tocar. Tocar em lugares diferentes pode ser atualmente um grande caminho para conhecer seu país.

BM: Desde que publiquei a história do grupo no blog, venho recebendo comentários positivos sobre o som da banda! E a aceitação de sua música nos EUA ?KR: É ótimo escutar isso! Nós tivemos muitos comentários positivos a respeito de nosso primeiro álbum, auto-intitulado Doctor Blues, na maior revista de blues da América, Blues Revue. Existe uma curta e curiosa história sobre isso: Lennart (guitarra) colocou um CD nosso em um envelope e escreveu “smoke this Swedish blues” – sem carta ou qualquer outra coisa- e enviou para a Blues Revue. Algumas semanas depois nós tivemos o comentário na revista.

BM: Conte-nos mais a respeito dos festivais de blues na Europa. KR: Devo admitir que não tenho muito conhecimento sobre o blues na Europa. O blues tem sido sempre americano e sueco para mim. Gostaria de ir a mais festivais na Europa e é claro que existem grandes bandas esperando para serem descobertas a muito tempo.

BM: Como compara a aceitação dos álbuns “No Pain No Gain” e “Breakin’ The Chain” ?KR: Faz sentido dizer que o primeiro álbum teve mais atenção, talvez por ser o primeiro. É um pouco mais tradicional – mais ‘old school’. "Breakin’ The Chain" é mais experimental, mais versátil, com mais influências de outros gêneros. Acho que o próximo será assim também. Gosto quando o blues é misturado com o rock, funk ou soul.

BM: Algum novo trabalho pronto para ser lançado pelo Dr. Blues ? KR: Estamos pensando entrar em estúdio novamente no outono. Mas é claro que sempre vou continuar atenta a aceitação dos trabalhos anteriores.

BM: Alguma chance de ver a banda na América do Sul em breve ?
KR: Se você nos contratar, nós vamos! (risos) Seria maravilhoso! Eu nunca fui até a Américia do Sul e adoraria ir! Infelizmente, não temos planos para isso no momento.

BM: Obrigado pela entrevista! Deixe seu recado para os leitores do Blues Masters e fãs do Blues no Brasil. KR: Como falei anteriormente, adoro quando o blues se desenvolve e interage com outros gêneros. Acredito que o blues vem sendo protegido de forma muito tradicional e precisa se desenvolver para manter o interesse do público e também conquistar os músicos mais jovens. Desafio seus leitores a fazerem sua própria mistura de ‘hot blues’ com ‘hot samba’ com alguns instrumentos de percussão. Isso que eu gostaria de ouvir!

Para ver o que já foi publicado sobre Karin Rudefelt & Dr. Blues clique aqui .
Doctor Blues Official Website