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terça-feira, 2 de junho de 2009

Maguila e a métrica reversa do futuro

Existem acontecimentos que nos parecem inacreditáveis, mas que o futuro dá um jeito de realizá-los. Quem que poderia imaginar o Lula ter como seus aliados de governo os Senadores e ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor? Digamos que lá por 2002 essa idéia seria inadmissível.

Em 2002 ainda, ririam da minha cara se eu contasse que o Fenômeno seria a sensação do Corinthians, depois da terceira lesão no joelho. E se eu insistisse, e ainda tentasse falar que o Denilson não se firmou no Itumbiara e acabou indo para o famigerado futebol Vietnamita, sendo a contratação de peso do Hai Phong Cement, sexto colocado do certame do país asiático.

Nessa mesma linha, mas (acredito eu) não tão surpreendente quanto (haja vista que até o Pelé já foi cantor), o virtuoso boxeador Maguila largou sua aposentadoria para ser um novo ‘Ás do Samba brasileiro’. Está duvidando? Então clique aqui e faça o download da música de trabalho do Maguila.


Depois do estilo Gangsta rap do 50 Cents, agora Maguila inaugurar um novo estilo musical: SamBox. E para quem curtir a música, já aviso que ouvi falar que nas próximas semanas pode sair a segunda música do ex-boxeador, e ela já tem nome: WELcome Maguila!.
Confira a letra do novo sucesso "Vida de campeão":
Dei um soco na preguiça, Pra moleza não baixei a guarda.
Não calquei a tristeza, Encarei a minha estrada.
Derrubei todas as barreiras, O pessimismo mandei pra lona.
Nunca fui à faculdade, Mas de guerreiro, tenho diploma
Refrão:
Sou lutador, sou de fé, sou brasileiro.
Sou lutador, sou da paz, eu sou guerreiro.
Sou lutador, sou amor, sou coração.
Sou lutador, vencedor (brasileiro) e campeão.
Cada luta que travei me ensinou a ser fiel
A não reclamar de nada, aceitar o que vem do céu
Fui com força e proteção pra vencer mais um duelo
O meu sangue é de raça pois sou verde e amarelo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

No hablamos español


Com sede de novidades musicais fui a banca comprar a Rolling Stone Brasil (RSBR) de Novembro. Decidi dar mais uma chance para RSBR me provar como eu estava enganado. Entretanto, nas primeiras páginas já vi que minha rusga com a publicação continuaria...

A matéria ‘Sangue Latino’ de Filipe Albuquerque se pergunta porque roqueiros que cantam em espanhol não fazem sucesso no Brasil. A ingenuidade do autor o faz buscar hipóteses engraçadas. Além disso, ele emputa ao ‘consumidor de música’ a culpa por não ouvir os hispânicos.

Bom, ao ler essa matéria fui recorrer ao meu arquivo. Fui procurar nas 7 ou 8 RSBR que tenho para ver quantos artistas hispânicos foram contemplados pela publicação. Não encontrei nenhum. Desafio alguém a encontrar uma notícia sobre estes artistas no site da RSBR.

Então, concluo que no texto de Filipe Alburquerque faltou o principal fator do insucesso dos ‘hermanos’: A escassa cobertura feita pela imprensa brasileira sobre esses artistas. É difícil gostar do que não se conhece. Os poucos que conseguem uma breve exibição em rádios e tv’s, ampliam muito seus fãs no Brasil. Como é o caso de Fito Paez.

Por tudo isso, resolvi postar dois sons em espanhol que gosto e recomendo. Duas bandas argentinas de Folk Rock com muitas influências interessantes.

SEMILLA

A banda formada em Buenos Aires, em 2001, gravou seu primeiro e único disco em 2005. Eles podem ser considerados a perfeita devinição do Folk Rock. Guitarras pesadas com acordes típicos de ritmos clássicos argentinos como o tango e chacarera.

Além disso, a utilização de instrumentos típicos como bumbo leguero, muito utilizado pela música gaúcha. Em ‘vuelve’ temos até uma harmonia de blues. Destaque também para o vocal da também guitarrista Barbara Palacios.

Recomendo bastante essa banda! É a mostra que a música tradicional de um país pode ser incorporada no rock. O que é muito pouco praticado no RS.

ONDA VAGA

Formada de argentinos que se conheceram no Uruguai, o grupo também surgiu em Buenos Aires, em 2007. A banda já apresenta uma boa visibilidade no mercado argentino, tocando em festivais junto com figuras consagradas como R.E.M e The Jesus & Mary Chain. Um pouco menos rock que o Semilla, o grupo usa bastante metais em suas composições, mas o ritmo denuncia que se trata de uma banda argentina.

Assim como o Semilla, apresenta uma percussão interessante. Em seu único álbum, o ‘fuerte y caliente’, a banda traz inclusive uma Bossa Nova: ‘Havana affair’, que é canta em inglês. Pelo bom humor e ampla utilização de metais, a banda lembra os brasilienses do Móveis Coloniais de Acajú.

O Onda Vaga é uma banda interessantíssima, e assim como o Semilla, é um bom som para quem não tem pré-conceitos musicais.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Texto do OpiniãOposta! na pangea da língua portuguesa


Através de um comentário do seu criador aqui no OOP, descobri o site ‘O Patifúndio’. A revista virtual tem como objetivo “trazer à tona os personagens e as histórias que constroem a realidade deste mundo lusófono. Foi criada também para ser uma tribuna alternativa, cujo primeiro atributo para adentrar não é ser jornalista, e sim, saber contar e valorizar uma boa história da vida real.”

Assim, o site dá oportunidade para qualquer pessoa, que viva em um país que fale a nossa língua, possa publicar seu texto.

Então, como quem não quer nada, mandei um texto aqui do OOP, que foi publicado! Foi a ‘Crônica de um desempregado’, postada no dia 14 de março deste ano.

Agradeço a Michell Niero, idealizador do site, que publicou o texto. Quero também parabenizá-lo pela iniciativa. Recomendo a todos que curtem uma boa literatura verdadeira e cotidiana: acessem ‘O Patifúndio’

Leia o texto publicado no site clicando aqui

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A grana é 'A Favorita'

Sempre tentei me manter longe de frases prontas como “A Globo manipula” ou “Abaixo a mídia hegemônica”. Esse tipo de afirmação só caracteriza uma falta de conhecimento do real andamento dos meios de comunicação e um desvio de foco na forma de protestar. Claro que existem manipulações, mas o importante é saber como ela acontece. Manipulações, ou trocas de focos na mídia se dão, geralmente, mais por interesses econômicos da empresa em questão, do que por ideologia.

É o caso do da novela ‘A Favorita’. Estranho uma novela detalhar tanto o ramo de atuação dos seus personagens. A trama toda ocorre em volta de uma família dona de uma grande empresa de celulose. Opa! Empresas de fabricação de celulose... Isso não me cheira bem.
Certo dia, em uma viagem a casa dos meus pais, vou assistir com minha mãe a um capitulo da novela, mais pensando na vida do que assistindo, quando sou interpelado pelo seguinte diálogo: (Assista a cena clicando aqui, ou no player logo abaixo)

Vó: É... fama não enche barriga... Só se ele estivesse maluco de deixar uma fábrica séria, respeitável, grande, assim como a Fontini...

Tia: Respeitável, mas causa muito desmatamento...

Neto: Não é assim tia... A floresta de eucalipto cresce sem encostar na mata nativa, e ao contrário de que muita gente pensa, a Fontini recupera essas áreas degradadas da Mata Atlântida. Vovó sabe disso!

Vó: Até o Copola (inimigo do dono da fábrica) reconhece que o Dr. Gonzalo (dono da fábrica) fez um trabalho muito bom, excepcional! Ah, todo mundo sabe... ele fez a Fontine crescer graças a plantação dessa floresta exclusivamente para a fabricação da celulose e do papel.

Neto: é isso mesmo... o próprio Vô Copola sempre diz que o Brasil é referência mundial na industria de celulose.

O personagem diz isso e sem explicação troca de assunto... Se achava estranho antes, agora tive certeza... Se a industria da celulose não conseguiu ter uma boa imagem por bem, agora seria por mal. Decidi ficar olhando o capítulo até o fim para saber de quem era o merchandising, que aparece junto com os créditos da novela. Na mosca... Merchandising pago pela Bracelpa: Associação Brasileira de Celulose e Papel. Só a união das maiores empresas brasileiras do ramo da celulose papel. Logo, muita grana envolvida.

O problema não está em patrocinar uma novela, e sim em usar técnicas de desinformação para melhorar sua imagem. Se fosse um personagem que comprasse papel e falasse: ‘que papel legal!’ ou ‘que celulose interessante!’, assim como são as propagandas de celulares e produtos cosméticos, não teria problema. Mas não, a propaganda diz: ‘Plantar celulose é legal e não faz mal a natureza’. Para mim, com o mínimo de conhecimento que tenho sobre o assunto, esta propaganda se equivaleria a uma de cigarros dizendo: ‘Fume, faz bem para saúde e ainda ajuda os agricultores’.

São muitos os estudos que apontam os malefícios das monoculturas de eucalipto. Desde a desertificação do solo até o aumento do êxodo rural. Em contra partida, ainda não ouvi, nem li, algo que rebatesse essas acusações. Inclusive, a UFSM tem muitas pesquisas financiadas por empresas desse ramo. Mas se você quiser saber quem realmente é financiado, acesse o site Às Claras, que mostra todos os doadores de campanhas políticas passadas.

Faça o seguinte, vá até o site e selecione as prestações de conta da eleição de 2006. No campo para pesquisa, digite a palavra ‘celulose’ e clique em pesquisar. Você vai encontrar mais de 10 empresas que financiaram campanhas de políticos. Só a Aracruz, gigante do ramo, doou milhões. Inclusive, o prefeito eleito de Santa Maria, Cezar Schirmer, é um dos beneficiários da empresa.

Quando fiquei sabendo desse valor que está sendo investido nos deputados e senadores, ficou claro para quê está servindo esta publicidade na novela das 8. O mais interessante, é que todos os sites que chamam a mídia de manipuladora fizeram vagas referência sobre esse caso, não citando nenhum fato pontual como estou fazendo.

Fontes:
Bracelpa
Às Claras
Rede Globo

Imagem:
Weno

Assista ao video! (O diálogo citado acima está em 3 min e 30 seg)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

How much?

Quanto vale o seu blog?
É a pergunta que o blog da Business Opportunities Weblog tenta responder. Baseado em cálculos de Tristan Louis e utilizando os critérios de hierarquização dos blogs, o softwear calcula e dá o resultado em poucos segundos.

O OpiniãOposta! vale a bagatela de 3,387.24 de Dólares, cerca de 6,276 de Reais. Pensando profundamente, com o rendimento que meus investimentos vem tendo... eu venderia... Podem me chamar de capitalista, de privatizador ou até de Fernando Henrique Cardoso.

Nesta tendência, muitos portais da internet compram blogueiros para trazer leitores para o seu site. Em alguns casos, a oferta é tão insignificante que até parece piada: Marcelo Träsel, um grande pesquisador das novas tendências da comunicação na internet, dono do blog Martelada, foi assediado pelo site da Editora Abril. Em troca de seus textos e sua audiência, eles ofereciam um blog com layout limitado e o status de ser blogueiro da Abril. Assim, Marcelo, com muito bom humor, postou a proposta indecorosa em seu blog.

Bom, se ficou interessado em comprar o OOP!, podemos negociar...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Blogs: Onde pesquisar!


Com os blogs gratuitos a blogosfera se tornou um espaço aberto a qualquer um que tenha o mínimo de acesso e intimidade com a Internet. Essa grande abertura significa uma quebra de paradigma enorme. Antes da internet, poucos tinham suas vozes vinculadas em uma mídia de alto alcance. Com exceção de seções de cartas dos leitores, o consumidor da informação não tinha espaço algum para vincular suas idéias.

Com o surgimento da internet, isso ficou mais fácil. Entretanto, por muitos anos a internet foi um espaço de emissão reservado a pessoas que dominavam as codificações HTML. Quando o formato blog, como conhecemos hoje, foi disponibilizado gratuitamente por servidores como Blogger e Wordpress, o ultimo paradigma da internet havia sido quebrado. Agora, qualquer um tem um bom espaço para vincular suas idéias e compartilhar conhecimentos.

Por isso, resolvi postar dois livros sobre blog no OOP. Para quem não sabe, meu trabalho de conclusão é sobre blogs. Então, nos últimos meses, tenho ido a caça de autores que tenham uma boa concepção desse fenômeno, que já não é considerado tão novo assim. Vou dar duas dicas: Um livro para você ler e outro para ignorar.

NÃO LEIA:
Blog: Entenda a revolução que vai mudar seu mundo, do blogueiro republicano Hugh Hewitt.

Qualquer argumento que é construído em cima da idéia que existem os bons e os maus, para mim, não é valido. Não entendeu? Bom, Hugh Hewitt é um republicano ferrenho, que acredita que todos os democratas, ou esquerdistas, são fanáticos. Por conseqüência, todos os republicanos, ou direitistas, são pessoas centradas e que entendem de política. Todo o discurso de Hugh é fundado sobre essa premissa. O fanatismo de Hewitt é tão grande que na introdução do livro ele dá um aviso aos leitores que não compartilham da ideologia do autor: Largue este livro e vá rever seu DVD do Michael Moore.

O livro pretende ser uma carta de intimação para quem ainda não tem um blog. Neste ponto, Hugh traz uma perspectiva mais empresarial do fenômeno dos blogs. Ele também apresenta algumas situações onde os blogs pressionaram a grande mídia até que ela tomasse o fato como importante.

Apesar do que foi dito a cima, no meio das divagações panfletárias de Hugh Hewitt pode se encontrar algumas frases sensatas que refletem as inovações e potencialidades trazidas pela blogosfera.

LEIA:
Blogs y Médios: Las claves de una relación de interés mutuo
José Manuel Noguera Vivo, pesquisador espanhol, fez um livro extremamente completo trazendo os aspectos técnicos e sociais da blogosfera. Com uma bibliografia de dar inveja a qualquer pesquisador, ele apresenta vários aspectos da comunicação e interação mediada por blogs. Junto, traz um estudo de mais de 150 blogs de meios de comunicação. José Manuel deixou uma versão de sua obra em domínio publico. Assim, qualquer pessoa pode fazer o download.
Este é um ótimo livro para estudantes de comunicação ou mesmo para aquelas pessoas que querem conhecer o fenômeno ou incrementar seus blogs.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

OOP na eleição apresenta: Propaganda eleitoral



Este post abre a Série “OpiniãOposta na eleição 2008”.

Iniciou hoje a ‘Propaganda Eleitoral Gratuita’. A vontade de conhecer os postulantes a câmara de vereadores de Santa Maria, me fez abandonar o debate esportivo que costumeiramente ouço. Mas já adianto, não me arrependi da troca.

Foram 30 minutos de muitas gargalhadas e poucas propostas. A cada dez candidatos, apenas 2 apresentavam alguma proposta. Os outros se esmeravam em mostrar como eram honestos, ou como eram ‘descolados’, como é o caso do candidato entitulado ‘Rack’.

Mas se faltam propostas, sobram ‘rimas ricas’. Os candidatos estão inspirados:
- “Chega de lorota, vote no Chicota”
- “Vote certinho, vote no Tigrinho”
- “Vote sério, vote no Astério”
- "Chega de mesmice, vote no Sanfelice"

A cidade de Santa Maria se destaca também pelo número de candidatos que concorrem sobre a alcunha de um apelido. Alguns apelidos bem curiosos, por sinal: o Juba, o Asa, o Alemão do Gás, o Cezar Papagaio, o Bigode, o Motorista - Irmão Reni Barriga, Jacaré, Professor Batata, e o Tampa. Ainda temos um nome que não é apelido, mas que não é menos curioso: John Wayne. Isto mesmo. Este é o nome de um policial militar candidato a vereador. Os pais dele deviam gostar bastante de ‘bang-bang’, pois John Wayne foi um dos grandes atores do estilo.

A Propaganda Eleitoral Gratuita em Santa Maria está demonstrando que pode ser uma ótima arma para os bons candidatos se destacarem neste mar de mesmice.

sábado, 12 de julho de 2008

Mosca azul causa surto de gangrena no poder judiciário

Em tempos de crise moral, poucas instituições brasileiras mantêm uma boa imagem diante da opinião pública. A condição insalubre da política, a homofobia e abuso de poder do exército e a putrefação da educação básica, são alguns dos fatores que fortalecem a descrença do povo brasileiro na estrutura social do seu país.

Talvez o poder judiciário, até agora, fosse o poder menos afetado por escândalos. Pelo menos dos que vem a tona.

Mas...quando a Polícia Federal resolveu mexer em um esquema há muito instituído, e que movimentava grandes cifras, envolvendo muitos políticos e empresários do país, a maior corte do poder judiciário se manifestou para manter a ordem. A ordem do bandido, não a ordem ética.

O ministro do STF, Gilmar Mendes resolveu soltar Daniel Dantas, o grande chefe do esquema, porque ele não apresentava perigos ao andamento da investigação. Além disso, considerou que não haviam provas suficientes para prendê-lo, assim desautorizando a decisão do juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo.

Gilmar ainda chamou Fausto de insurgente, pelas suas atitudes que contrariavam as decisões da corte superior. Entretanto, Fausto de Sanctis teve o apoio de muitas organizações ligadas ao exercício do direito.

Sobre o caso, faço as pazes com o Jabor e uso uma citação dele para me posicionar sobre o caso: “A polícia federal tem entrado com um corte cirúrgico nesse problema. Com Grande eficiência.(...) E alguns juristas ainda reclamam: ‘A polícia federal dá show para mídia’. E daí? A mídia não é um palavrão. É o canal por onde o povo vê o país. Ao invés de se inquietar com a eficiência da polícia, o judiciário deveria se preocupar com a imagem que a população desinformada tem dele: ‘Ah! A polícia prende e a justiça solta’. O judiciário precisava também ser aplaudido na mídia.

Confira o comentário de Arnaldo Jabor na íntegra:

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Audiência qualificada! Este blog tem acessos da Câmara dos Deputados



Uma com muitos assessores bem pagos, outra com poucos funcionários que amargam baixos salários. Uma com verba para material de escritório e correspondência, outra com racionamento de folhas e impressão. Uma com muitos lobistas loucos para fechar um negócio, outra com fundações para a ‘desburocrátização’ de suas verbas.

Realmente existem muitas diferenças entre as realidades da Câmara dos Deputados federais e as de uma universidade federal. De longe, mas muito longe, observamos com perplexidade recessos pelas razões mais variadas e benefícios que engordam o mísero salário de R$ 12.874,20. Segundo um levantamento feito pela revista Rolling Stone de fevereiro de 2007, um deputado federal pode custar até R$ 101.000.00, por mês.

Mas engana-se o cidadão que pensa que os trabalhadores da Câmara dos Deputados federais não se preocupam com a realidade do universitário das instituições federais. Tenho provas do que afirmo.



(A imagem acima comprova o acessoa esse blog direto da Câmara dos Deputados, no dia 25 de jun, às 16h18min. As setas vermelhas marcam o lugar do acesso)

Olhando a origem dos acessos a esse blog, como rotineiramente faço, vi que um deles partia de uma das belas salas da ‘casa do povo’, ou melhor, da ‘casa dos representantes do povo’. Fiquei muito lisonjeado pela nobre deferência. E aproveitando a audiência qualificada, digo que os universitários sempre estarão dispostos a investigar a aplicação das emendas dos famigerados parlamentares. Não se preocupem. Se depender de nós, suas emendas não serão desviadas do rumo correto

Abraços a vossa excelência, e obrigado pela preferência!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

5964. Born to be wild (3:30)

Três vontades, três valores, três estilos. Embalados por um ímpeto juvenil. A grande chance surgiu e agarramos com unhas e dentes. Bom, mas vamos voltar um pouco no tempo. Sala de redação da FACOS (Faculdade de Comunicação Social da UFSM), uma tarde de quarta quente de novembro, reunião de pauta da segunda revista da turma do sexto semestre.

Muitas idéias, como sempre, pouca criatividade. Então vamos a escolhas de funções, e alguém grita: - Reportagem? Ao passo que vários se colocam a disposição de maneira voraz! Muda daqui, troca dali, saio eu, entra tu. Pela mão do acaso se forma a melhor equipe para a pauta que viria a ser escolhida.

Me sentiria me muito bem colocar em colocar toda nossa saga no papel. Entretanto, não tenho assistência jurídica suficiente para tocar nos nomes que queria. Além do tamanho, seria necessário um bom hectare desse blog. Então, me pague uma cerveja em um bar com música boa que lhe conto a história de cabo a rabo. Não entendeu nada? Leia a matéria abaixo, que foi publicada na terceira txt, escrita por Raero Monteiro e apuração de Otávio Chagas, Raero Monteiro e Willian Araújo.
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UFSM usada como ponte para recursos em projeto
Por Raero Monteiro
Otávio Chagas
Willian Araújo

Projeto ‘A Cultura – Inclusão Social’, sob investigação por não utilizar devidamente os recursos a ele destinados por emenda parlamentar do deputado Paulo Pimenta, foi mais uma da série de suspeitas lançadas sobre a UFSM e a FATEC nos últimos meses. Porém, a utilização dos recursos é apenas um dos vários procedimentos questionáveis envolvendo o projeto. A Universidade não elaborou, executou ou fiscalizou sua execução.

Dirigentes de entidades beneficentes que deveriam ser participantes do projeto, de 2005, o qual destinava R$ 48,2 mil para atividades com crianças e adolescentes, afirmam que sequer tinham conhecimento dele. O coordenador do projeto e pró-reitor de Planejamento da época, Roberto da Luz Júnior, 55, ficou surpreso ao saber das declarações, explicando que “não é de praxe” se verificar a aplicação dos recursos nos locais em que as atividades se desenvolvem.

O que diz Roberto vai de encontro à resolução nº 014/2003, assinada pelo então reitor, Jorge Sarkis, que instrui a formação de projetos que visam à contratação de fundação de apoio. Ela delega ao coordenador, dentre outras funções, a atribuição de “supervisionar as atividades do projeto”.

A mesma resolução dá ao gestor a responsabilidade de acompanhar e fiscalizar a execução do projeto. Cabe ao gestor fiscalizar inclusive o coordenador, e por isso o coordenador não pode também ser o gestor do projeto.

O gestor de ‘A Cultura – Inclusão Social’, José Orion Ribeiro, 44, foi indicado pelo próprio Roberto, e era funcionário da pró-reitoria de Extensão. José revela que o papel do gestor, na prática, também não é cumprido: “A gente, como gestor, não se envolve com o projeto. Tem que ter alguém responsável por ele mas tu não se envolve com as ações dele. (...) Não sei nem do que se trata o projeto, eu não me envolvi com o projeto”.

Nenhum bolsista ou professor das áreas envolvidas no projeto participam dele. Isso deixa claro que a UFSM apenas serviu como ponte para os recursos serem aplicados. Roberto define o papel da Universidade como de “assessoramento” para o ajuste formal do projeto, e ressalta que o deputado Paulo Pimenta “reivindicou parte dos recursos” da emenda para projetos “que ele mesmo apresentou para a Universidade através da ex-vereadora Misiara Oliveira”. Dentre eles estava ‘A Cultura – Inclusão Social’.

Não há no projeto qual o papel a ser desenvolvido pela ONG Olympe, que nele é parceira da UFSM. A ONG, na prática, assumiu o papel de executar as atividades previstas em outras três entidades, o que os dirigentes destas negam que tenha ocorrido.

A Olympe é representada no projeto e em outros documentos a ele relacionados por Marcelo Zardo Brettas, que não tem seu cargo na Olympe esclarecido. Roberto não conhece a presidente da ONG na época, Renata da Fontoura. Quem ele identifica como principal interlocutora da Olympe é a mesma pessoa que apresentou o projeto para a Universidade, a ex-vereadora Misiara Oliveira.

‘A Cultura – Inclusão Social’ faz parte de um projeto maior, intitulado ‘IPDR Apoio às ações comunitárias: A cultura – inclusão social, Apoio ao esporte de base e XX Festival de Inverno de Vale Vêneto’. Este projeto ‘guarda-chuva’ engloba ainda outros dois que receberam verbas da emenda. Um deles apoiava atividades com jovens das categorias de base do Grêmio Atlético Imembuí, no valor de R$ 52 mil. O outro repassava R$ 25 mil para o Festival de Inverno de Vale Vêneto.

Nenhum dos três projetos previa alguma viagem internacional a ser realizada. Entretanto, foram pagos R$ 3 mil à empresa Transportes Rizzatti Ltda. por uma viagem para Posadas, na Argentina. O número da nota fiscal é 5640 e ela é datada de 3 de janeiro de 2006.

Os professores do curso de Ciências Econômicas Clailton Freitas, Orlando Martinelli Júnior e Uacauan Bonilha constam como participantes de algum dos três projetos deste ‘guarda-chuva’, e receberam bolsas de R$ 1,5 mil cada. Contudo, eles não tiveram nenhuma participação neles, tendo recebido as bolsas pela participação em um outro, desenvolvido para avaliar o impacto da instalação de fábricas de celulose na região de Pelotas.

O professor Clailton Freitas, 43, revela: “Como esse projeto já estava recebendo a verba então os bolsistas do projeto Votorantin foram pagos com recursos dele. Mas, na verdade, eu não sei nada desse projeto. Foi só um erro mesmo, não sei por que nem foi corrigido”.

Falta de acompanhamento da execução do projeto, uso da Universidade como caminho para recursos, gastos sem previsão, pagamento de professores por serviços prestados em outro projeto. Preocupa, mais do que esses procedimentos, o fato de tantas falhas não terem sido descobertas pela própria UFSM ou pela FATEC.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Ignorância inteligente



Para mim os formadores de opinião, como os colunistas, devem saber mais do que qualquer cidadão comum sobre um fato. São esses privilegiados que com sua competência e coerência fornecem subsídios para que muitas pessoas formem suas opiniões.

Tomei um susto ao ver a falta de conhecimento do fato ocorrido na Bolívia por um articulista que até certo ponto respeitava: Arnaldo Jabor

Todos que estão bem informados sobre a questão da mudança da capital da Bolívia, sabem que é uma revolta burguesa. A classe bem remunerada do país quer a mudança da capital para a região mais rica. Mas o que isso tem de relevante para um país pobre?

Bom, para o Jabor isso é motivo para crucificar Evo. Ainda mais sendo ele, grande amigo de Chavez. Isso basta para o colunista do Jornal da Globo!

Acompanhe o texto:

Evo Morales segue o destino previsível, óbvio, de todas as ditaduras em marcha na América Latina.
Sempre começa com as bravatas de nacionalismo, de banir o inimigo imperialista, que aliás somos nós, o gigante.
Depois o caudilhismo começa a fazer água, pois a burguesia empresarial sabota, para de investir e a crise econômica se inicia.
Aí vem a repressão, a porrada, os Evos e outros aumentam a radicalização até que a quebra da economia se abate sobre o país e começa o novo ciclo em que o possível ditador acaba caindo, com o atraso voltando atrás, porque a idéia de progresso que a tradição de índios e populistas tinham era mais atrasada que o atraso das elites brancas.
Por trás dessas pseudo revoluções existe a antiqüíssima fé, herdada das teocracias sacrificais da época dos Incas, Maias e Aztecas: deuses no poder exterminados pelos espanhóis. Auto sacrifício e extermínio. Na Bolívia já recomeça o ciclo. Na Venezuela também já esta morrendo gente.
A única diferença é que agora há muita grana de petróleo e armas do Chávez e esse circulo vicioso pode ser o início de um banho de sangue, de uma horrenda tragédia na América Latina. Que espero, fique só entre os cocaleros e bananeros e não chegue até nos, os macaquitos.


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Lamentos, sugestões e um pouco de marketing pessoal


Música em rádio. As mais pedidas. Comunicação jovem. Eventos patrocinados. Músicas patrocinadas. Cultura patrocinada. A fórmula se repete e não se diz quase nada a respeito. Os meios de comunicação, do ponto de vista de quem os controla, são empresas, e, como qualquer fábrica de chinelos ou loja de produtos hospitalares, possui como objetivo central o lucro. Mas não estamos falando de chinelos, balanças ou qualquer coisa do gênero. Estamos falando de arte, de inspiração, de tradição, de inovação, enfim, do ser humano no exercício da sua expressão enquanto ser social. Sendo então a cultura todo o fazer humano, deve ela ser regida pelas mesmas regras que submetem a compra e venda de qualquer produto? Independentemente de qualquer questionamento o fato é que a música, inserida num contexto mais amplo de coisificação da cultura, é sim produzida e comercializada em escala industrial.

Segundo relatos de profissionais da comunicação e de músicos com os quais tivemos contato, as relações, digamos, mais próximas entre as gravadoras e as rádios datam de meados dos anos 60, o que se pode dizer que marca o início da homogeneização da produção e do consumo musical no Brasil. Se antes cada artesão fazia um tipo de chinelo, tornando assim os custos de matéria-prima e distribuição relativamente altos, agora a indústria produzia a partir de moldes, adaptados aos pés do consumidor médio, e distribuía esse produto por todo o país. Hoje a prática de pagar para um artista ser tocado (conhecida como Jabá) é praticamente institucionalizada em muitas rádios, aliás, isso não ocorre apenas na programação musical das rádios, mas também em programas televisivos, resenhas de jornal e daí por diante. Só não damos nomes às raposas porque não temos dinheiro suficiente para pagar uma assessoria jurídica, mas não é difícil imaginar, basta um zapping na TV nos domingos à tarde para saber do que estamos falando.

Todo esse tratamento da música como produto, que transforma arte em business, restringe, por uma série de motivos, a qualidade do cenário musical mundial. Esse tipo de restrição pode ser notado em vários aspectos da música que toca nas rádios comerciais. As letras das músicas raramente podem ser chamadas de poesia, as soluções melódicas se repetem, os traços regionais são sufocados. Em um país com uma diversidade cultural muito grande como o Brasil, as rádios acabam não representando o contexto local, tocando músicas e artistas que são repetidos incessantemente em qualquer parte do território nacional. Quantas vezes você já ouviu uma banda de Santa Maria nas nossas rádios? Santa Maria é, reconhecidamente, um pólo musical importante no Estado, mas com exceção da música nativista e de uma ou duas bandas que estão inseridas na lógica das gravadoras quase nada do que é feito aqui se ouve nas FMs locais.

Pensando nesses diversos fatores que atravancam o desenvolvimento e divulgação da música, concebemos a idéia de produzir o programa radiofônico Pró-Música, que vai ao ar na Rádio Universidade 800AM, toda a quarta às 23h. O Pró-Música é um programa temático que tem como base dois elementos: apresentar um repertório musical de qualidade e diferenciado, e agregar conhecimento ao ouvinte através da reflexão, da pesquisa musical e de entrevistas com pessoas que possam falar com autoridade sobre o assunto. Música é cultura, portanto, pode trazer consigo todas as expressões que fazem parte do ser humano. Essa idéia mais abrangente de música já guiou o Pró-Música a manifestações históricas como os Festivais de MPB, a orientações literárias como o Dadaísmo, a expressões místicas e religiosas como o Exorcismo, a diversas paisagens naturais do Brasil e ao próprio debate da produção musical na indústria cultural.

A diversidade de assuntos abordados no Pró-Música permitiu o contato com os mais variados gêneros musicais. Sem sair do aconchego do pampa, escolhemos 4 artistas ou bandas do RS que já estiveram no programa para apresentar a você:

Outhouse Birinight Band: Iniciamos com uma sugestão local. A Outhouse é uma banda santa-mariense, e esteve presente no estúdio da Rádio Universidade durante a gravação do 37° Pró-Música, que abordava o Hardrock setentista. A banda iniciou atividades no ano de 2003, e é formada por Alex Bortolloto (Guitarra e voz), Leandro Correa (bateria), Régis Righi (baixo) e Vinicius Brum (Voz).
Esse quarteto faz o tradicional hardrock, pesado e clássico, com influências de Free, Led Zeppelin, Alice Cooper (em sua fase antiga), Grand Funk Railroad, entre outros grandes expoentes do estilo pesado. As letras, em português, retratam as noites da boemia do Rock’n’Roll. Eles também fazem releituras de algumas bandas “das antigas”. A escolha dessas bandas se dá através de uma pesquisa musical feita pelos integrantes, tentando sempre trazer algo novo para o público da banda.
Em agosto desse ano, a banda obteve um ótimo resultado no 5° Festival de Bandas, organizado pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), ficando em segundo lugar. Para quem quiser ouvir a banda ao vivo, eles irão tocar no bar “Santa Ceva”, dia 11 de outubro. Para quem quiser conhecer mais sobre a história da banda acesse: www.outhousebb.blogspot.com .

Artur Aguiar e os Colhedores de Algodão: Também uma banda de Santa Maria que tem três anos de existência e que faz um som guiado pelo Blues elétrico com pegadas de Funk, Soul e Rock. A banda é formada pelo vocalista e guitarrista Artur Aguiar, o baixista Cezar Marqueri, o baterista Rafael Berlezi e pelo tecladista Fabrício Fortes.
Mesclando um Blues pesado com o tradicional, a banda vai levando suas músicas com composições próprias. As suas composições, todas em português, trazem um o cotidiano de um verdadeiro bluseiro, com elementos subjetivos. Segundo os integrantes, as influências da banda seriam as seguintes: Abert King, Buddy Guy, Otis Hush, Ray Charles, Stivie Ray Vaughan, Eric clapton, Cactus, Joe Spencer, Blues Explosion, Jhonny Winter, dentre outros.
A banda lançou um CD em 2005, onde apresentou 8 músicas entre composições próprias e convers de grandes clássicos do Blues. Eles participaram do 26° Pró-Música, onde abordamos a relação entre música e carros.

Jayme Caetano Braum: Pajador missioneiro apresentado no 2º Pró-Música que contou com a participação do jornalista Chico Sosa. Faz parte dos denominados “Troncos Missioneiros” e traz em suas pajadas a virtuose da improvisação além da crítica social tão presente na música Missioneira.
O autor de poesias e de livros permite que o ouvinte perceba a riqueza da música regional do Rio Grande do Sul, afirmando a força do local e ampliando a percepção da riqueza musical do nosso Estado. Consegue com suas pajadas fazer uma narrativa perfeita dos momentos da vida campeira, transmitindo a mesma emoção do momento inspirador da sua arte. Exemplo disso é a pajada “Buchincho”, onde conta o entrevero que teve em um baile de campanha.
Jayme Caetano Braun teve por muito tempo um programa na Rádio Gaúcha. Foi amigo intimo de Mário Quintana, a quem dedicou uma de suas pajadas. Morto em 1999, Braun é necessário para o conhecimento da música da nossa região. E como poeta que era, nada melhor que terminar com suas palavras: “Eu somente quero ser / a mais apagada imagem / deste Rio Grande selvagem / que até morto hei de querer!”.

Vitor Ramil: Este compositor, cantor, músico e escritor pelotense, já consolidado como um dos grandes nomes da música gaúcha, foi o entrevistado na 35ª edição do Pró-Música, quando tratamos de Releituras. No entanto, enquadrar este artista neste tema é quase uma injustiça se considerarmos o nível das poesias e melodias criadas por ele. O irmão mais novo de Kleiton e Kledir assume a herança da música gaúcha e a transforma, fazendo do regional o universal através de misturas inusitadas e não menos brilhantes, capazes de levar milongas para passear em lugares nunca antes imaginados.
Vitor Ramil acabou de lançar seu oitavo Cd, intitulado ‘Satolep Sambatown’, o qual foi gravado em parceria com o percussionista carioca Marcos Suzano. O novo trabalho dá novos ares à proposta desenvolvida pelo gaúcho desde 1997, quando criou a denominada ‘Estética do Frio’, fundamentada em um livro de mesmo nome, lançado juntamente com o CD ‘Ramilonga’. Vitor diz que o novo disco é o seu melhor, mas enquanto não conferimos suas novas músicas apontamos o Cd Tambong, de 2000, como a melhor opção para conhecer o artista.

Os Cd’s da Outhouse Birinight Band e da Artur Aguiar e os Colhedores de Algodão, gravados no Pró-Música, podem ser ouvidos e baixados no site do programa, assim como todas as edições do Pró-Música. O endereço é www.ufsm.br/promusica.

domingo, 26 de agosto de 2007

Um dia você vai servir a alguém


O post de hoje é sobre algo que conheci há poucos dias, mas que me conquistou nas primeiras frases. É a versão feita pelo cantor gaúcho Vitor Ramil, da música “Gotta Serve Somebody” do incansável Bob Dylan. Confesso que pouco conhecia sobre a carreira de Vitor Ramil, mas me impressionei com a roupagem brasileira que ele deu as idéias do Bob. Ramil juntou algumas Idiossincrasias tupiniquins e ao lado do ótimo letrista Lenine, bradou um retrato perfeito da sociedade brasileira.
Em entrevista ao meu programa de rádio, Vitor fala com é vercionar um gênio como Bob Dylan: “(...)Pra mim é muito desafiador a forma dele. Eu sou muito simétrico e não sou um letrista verborrágico, e o Dylan é totalmente o contrário disso. É um cara que as letras, além de serem grandes, são de uma forma, do ponto de vista da melodia, caótica. Cada verso ela canta de um jeito(...)”.

A música se encontra no álbum Tambong, de 2000. Vejamos a letra então:

Você pode ser rei no país do futebol
Pode ser viciado em bingo e nunca ver a luz do sol
Você pode ser um mago e vender livros de montão
Pode ser uma socialite, enriquecer vendendo pão

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Pode ser incendiário e fazer um índio arder
Você pode ser o índio vendo a chama acender
Pode ser um bom ladrão, pode ser um mau juiz
Pode ter um passado limpo, pode ter uma cicatriz

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode estar na mídia sem saber porque
Você pode ser dono de uma rede de TV
Você pode dar o fora tendo tudo pra ficar
Adotar um nome diferente, você pode mesmo se isolar

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode trabalhar na construção civil
Pode estar desempregado, com a vida por um fio
Você pode ter poder, fazer coisas que ninguém fizer
Pode ter mulheres numa jaula, pode ter as drogas que quiser
Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode desejar a cura com Lacan
Você pode procurar os serviços de um xamã
Você pode ser um pregador, chutar os santos do altar
Você pode ter um bom discurso, você pode nem saber falar

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode ser demente, pode ser doutor
Você pode ser sincero, pode ter rancor
Você pode ser um crente, você pode ser ateu
Pode ser um leitor vaidoso ou uma miss que nunca leu

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Você pode ser turco, pode ser nissei
Pode estar ali na esquina, estar onde jamais pensei
Você pode me adular, você pode me esquecer
Você pode estar me ouvindo agora, você pode mesmo nem saber

Mas um dia vai servir a alguém, é
Um dia vai servir a alguém
Seja ao diabo
Ou seja a Deus
Um dia você vai servir a alguém

Bom, aí vai o link caso queira ou ouvir o meu programa de rádio onde tratamos de versões e entrevistamos Vitor Ramil.

http://www.rotasulbus.com/promusica800am/pm35.html

Por hoje era só! Grande abraço!

domingo, 3 de junho de 2007

Ordens do Sargento!



A falta de criatividade da imprensa cultural brasileira (principalmente a diária) é algo que não consigo engolir. O fato mais recente é os 40 anos do ‘Maior álbum de Rock’n Roll, de todos os tempos’, segundo a Revista Rolling Stone. Todo o editor de cultura e variedades ‘que se preste’, se pautou por essa data.

O problema que vejo não é todas as mídias culturais falarem sobre isso. Na verdade, o grande problema (que atinge grande parte do jornalismo), é a comodidade de ir buscar pautas no famoso ‘Guia dos Curiosos’. E o pior, não aprofundá-las.

Preguiça é algo que assombra o jornalismo em todos seus níveis.

Mas fugindo um pouco da crítica a imprensa, quem não conhece esse álbum, deve conhecê-lo. É um dos clássicos do Rock.

Pra quem quiser conhecer mais afundo o álbum, acesse:
http://www.speculum.art.br/mojo/download.php?a=26.1736.SGT PEPPERS.1981477899.pdf

Esse é o link para o Mojobook desse álbum. Para quem não conhece, o Mojo é um livro escrito ‘sobre’ um álbum! Para conhecer mais sobre essa nova literatura, vá até: http://www.mojobooks.com.br/.

Por agora era só!
Feito!