sexta-feira, 2 de maio de 2008

Hardrock como me gusta


O Hardrock surgiu no fim da década de 60, quando o rock ainda era muito leve e puro. Por isso, foi batizado com esse nome: “Rock pesado”. Entretanto, trazia características bem marcantes, como a abundância de riffs e solos de guitarras, baixos bem marcados, baterias fulminantes e a grande influência de estilos como o folk e o blues. Mas com o passar dos tempos esse conceito foi se perdendo com a capilarização do rock em várias subdivisões, que não deixam de ser rock pesado, na acepção da palavra, mas são muito diferentes de sua origem.


Em pleno século 21, quase 40 anos depois do surgimento do Hardrock, algumas bandas ainda continuam fazendo esse som, como na sua origem, acrescentando alguns elementos da modernidade. Por isso, resolvi fazer a seleção de algumas bandas que fazem um som pesado, mas situado no seu tempo, sem tentar ser ‘cover’ das bandas consagradas da década de 70.

Sei que muitos vão pensar “Mas essa banda não é Hardrock” ou “mas aquela banda é hardrock e não foi incluída”. Bom, por isso resolvi nomear o CD de ‘Hardrcok como me gusta’. Espero que gostem, e aguardo comentários bastante críticos! Também está a disposição os links dos cd’s que as músicas foram tiradas para quem quiser conhecer mais sobre as bandas.


BAIXE O CD

1- Audioslave – Cochise (3:42)
Música de abertura do primeiro álbum da banda, um dos melhores de rock dos últimos anos. O Audioslave tem mais dois álbuns, mas que não tem a mesma qualidade do primeiro. A banda acabou ano passado com a saída do estrelão Chris Cornell.

2- Wolfmother – Womam (2:55)
Umas das novas bandas mais bem sucedidas e com maior notoriedade, esse power-trio australiano lançou seu primeiro CD (Dimensions) em 2005, mas já tinha dois EP’s. ‘Womam’ é um dos singles desse disco. Destaque ainda para a faixa 7, que leva o mesmo nome do álbum, e para faixa 11, ‘Withcraft’, onde a guitarra divide lugar com uma flauta ao melhor estilo Jethro Tull..

3- The Darkness – Black Shuck (3:21)
Os ingleses do The Darkness são da escola do Glam Rock, como o Queen. Entretanto, algumas das faixas dos seus dois álbuns são bastante pesadas. ‘Black Shuck’ é a faixa abertura do segundo, 'Permission to Land'.

4- Jet – Stand Up (4:33)
Os australianos do Jet conseguiram alcançar boa reconhecimento com o seu primeiro CD, ‘Get Born’ (Muito bom por sinal). Um rock que traz uma evidente influência dos Beatles e Stones. Stand Up é a faixa 9 do segundo CD da banda, ‘Shine on’, que também é bom, mas não melhor que o primeiro.

5- The White Stripes – Little Cream Soda (3:45)
Com certeza o grupo com maior sucesso dessa seleção. Jack e Meg White conseguiram fazer algo novo e ao mesmo tempo velho. Juntaram o rock sujo de garagem com folk, hardrock e o Blues de Robert Johnson. Tudo isso com batidas hipnóticas e sons computadorizados. A dupla tem 6 CD’s, o último foi lançado ano passado. É desse álbum, ‘Icky thump’, que saiu ‘Little Cream Soda’.

6- Stone Temple Pilots – Dumb Love (2:50)
Uma das principais bandas americanas do cenário grunge nos anos 90, na qual faziam parte: Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam, Alice in Chains, entre outras. Têm influências evidentes de hard rock e até mesmo o punk. A banda acabou em 2003. Em janeiro de 2008, o vocalista Scott Weiland afirmou em uma entrevista que a banda voltará aos palcos a partir de maio desse ano. ‘Dumb Love’ é a faixa de abertura do quinto álbum de estúdio da banda, ‘Shangi-lá Dee Da’.

7- Rose Hill Drive – The Guru (5:16)
Trio de jovens de americanos que faz um hardrock que surpreendeu bandas históricas como The Who. Por quem foram convidados para abrir os shows de sua tour em 2007. Lançaram seu primeiro CD em 2006. Esse álbum traz muitas músicas boas: Além de ‘The guru’, destaco ‘Cold Enough’, ‘Cool Cody’, ‘Raise Your Hands’, ‘Reptillian Blues’ e ‘Shakin’ All Over’.

8- The Raconteurs – Store Bought Bones (2:24)
Emcabeçada também por Jack White, o Raconteurs faz um som diferente e bom. Tiveram um hit tocando a exaustão, ‘Steady as she goes’, faixa de abertura do primeiro CD. Esse ano, lançaram o seu segundo álbum: ‘Consoler Of The Lonely’. Mais folk que o primeiro, mas mantém a linha que caracteriza a banda. Store Bought Bones é a sétima faixa do primeiro álbum da banda. Nesse álbum, destaque para ‘Yellow Sun’ e ‘Blue Veins’.

9-Black Mountain – Stormy High (4:34)
Banda canadense que mistura rock psicodélico, com hard, com progressivo e folk. Esse é o primeiro e único CD da banda. Som muito interessante, sombrio e pesado.

10- The Sights –Nodoby (7:30)
Assim como o The White Stripes, é uma banda de Detroit. Faz um som que oscile faixa a faixa do álbum: hora lembra o início dos Beatles, ora os americanos do Grand Funk Railroad. ‘Nodoby’ é a faixa de encerramento do segundo álbum da banda: ‘Got What We Want’. Destaque ainda para ‘Sick and Tired’ e ‘Got What I What’.

11- Silvertide – Aint’t Comin’ Hom (4:04)
Não tenho muitas informações sobre essa banda. Sei que esse álbum é de 2005, e se chama ‘Show & Tell’. Músicas do Silvertide integram a trilha sonora do filme ‘A Dama D'agua’. É um hardrock simples, nada de mais, para falar a verdade. No entanto, gostei bastante dessa música.


12- Velvet Revolver – Little thing (3:57)
Com a base do Guns N’ Roses, a banda tem nos vocais, no álbum Contraband,2004, de onde foi tirada essa música, Scott Weiland, ex-vocalista do Stone Temple Pilots. É um Hardrock clássico do final dos anos 70. A banda lançou um novo álbum o ano passado com o nome de ‘Libertad’. No álbum de 2004, destaque ainda para ‘Sucker Train Blues’.

As duas últimas faixas são de duas bandas locais que fazem um hardrock de qualidade e autoral:
A faixa 13 é ‘Desse Whisky’ (3:28), da Outhouse Birinight Band, banda que já há cinco anos faz esse som pesado, recebendo premiações em festivais, inclusive.

A faixa 14 é de uma banda mais recente: Rinoceronte. Power-Trio que iniciou suas atividades esse ano, mas que pretende ir longe com seu som. A música deles que está no CD é ‘Furacão’ (4:56). O nome mais apropriado para o peso desse som.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Crônica de um desempregado

20 anos. Está na hora de entrar definitivamente no mercado de trabalho e se sentir totalmente integrado a uma sociedade para qual somos preparados desde o berço. Qual o primeiro passo? Carteira de trabalho. Então vamos a ela.

Em um dia preguiçoso das férias, levanto lá pelas 9h30 com o intuito de ser um cidadão trabalhador. Tomo um breve e simplório café com leite enquanto assisto desenho animado. A minha pressa era pouca, assim como meu saldo bancário. Escovo os dentes, pego o player e saio em busca da minha aposentadoria.

O sol agride meus olhos há pouco acordados. Cinco minutos de caminhada e chego ao local. Pequeno e lotado, móveis velhos e caras de tédio. Entro e fico analisando, procurando aonde pegaria a senha de atendimento. Sou interpelado por um jovem, provavelmente mais novo que eu, que pergunta o que eu procurava. Digo que queria fazer a carteira de trabalho, e ele responde que as senhas da manhã já haviam acabado, mas que ao meio-dia e meia eles distribuiriam as senhas da tarde. Coço a cabeça e volto para casa.O relógio marca 12h20, pego meu boné e saio mais uma vez na procura da minha carteira de trabalho. Alguns metros antes de chegar ao lugar, encontro um amigo, cumprimentos feitos digo que vou fazer minha carteira de trabalho para receber um dinheiro aí. Ele ri e diz: “To aqui desde às 11 e as fichas já acabaram”. Senti o drama. O negócio seria acordar cedo.

Muitos dias se passam e o sono não deixa o lado trabalhador conseguir seu passaporte. O ritmo das férias fez com que o meu relógio biológico ficasse totalmente atrasado. Dormir antes das três da manhã? Acordar antes das 11? Nem pensar. Isso que eu adoro acordar cedo.
Manhãs a fio tento acordar às seis para poder postular a uma senha e fazer a bendita carteira de trabalho. Entretanto, nem com despertador no volume máximo ou reza braba eu acordei. Solução? Utilizar um velho e gasto provérbio popular: “Se não pode vencê-lo, junte-se a ele”. Então tá! Se não consigo acordar, a solução é não dormir.

Foi o que fiz depois do Lost: fui pra internet arrecadar sons pra minha discoteca. Depois para não deixar o sono chegar, joguei umas 15 partidas de FIFA (cada partida são oito minutos). Quando meus olhos já não suportavam mais, fui assistir o jornal matutino. Já são quase 7 horas, me apresso para sair.Repetindo o ritual, cravo um boné na cabeça, pego meu player e saio em busca da carteira. Nas ruas já com um número grande de estudantes, ainda se ouvia o som da manhã, melhor que qualquer rock’n roll do meu player. Cinco minutos de caminhada e me deparo com uma fila de mais ou menos 50 pessoas, faltando uma hora e meia para a abertura do serviço.

Realmente não é fácil ser trabalhador no Brasil. Muitas das pessoas que estavam ali procuravam seu seguro desemprego ou mesmo vaga de emprego. Muitos jovens, muitos idosos, mas todos silenciosos e olhando para o nada. Exceto uma ‘gordinha’ (nada de pejorativo) que olhava toda a fila. Qualquer mínimo movimento era motivo para a senhora, com uma sacola de plástico nas mãos, torcer o pescoço.

O silêncio era fúnebre, só interrompido pela batida dos saltos-altos das garotas que com suas maquiagens iam para o cursinho. O rapaz que estava a minha frente era meu conhecido. Era meu vizinho na minha cidade, mas nunca havíamos trocado mais que cumprimentos curtos, nem sabia o seu nome. Pelo visto ele não me reconheceu. Nessas horas isso é o melhor. Ficar uma hora parado trocando frases com algum que não se conhece direito, apenas por educação é no mínimo enfadonho.

Resolvo colocar meu player e me absolver dos sons alheios. Começo a refletir: aquela fila só existe porque é em busca de serviços obrigatórios e estatais, oferecidos pra trabalhadores de baixa renda. Imagine se fosse uma fila para empresários? No mínimo teríamos senhoras alegres distribuindo café e bolachas.

Divago, vou longe, lembro de Marx e Maquiavel. Quando, como uma pedrada, a senhora atrás de mim começa a emitir sons com seu celular novo. Um celular de abrir e com câmera, com cara de que foi o presente de natal da senhora de vestes modestas. Além de alto, o som era extremamente agudo. Toda a fila começou a olhar de onde vinha aquele som abominável.

A empolgação da mulher com o jogo me parecia uma vontade de mostrar a si própria as utilidades do novo presente. Antes de se comprar um celular moderno, ele passa de futilidade a necessidade. “Como vou viver com um celular sem jogos legais?” Mas depois com o aparelho, as funções vão ficando corriqueiras e se tem a nítida noção que não passa de um aparelho de telefone. Depois de dez minutos de muita poluição sonora, a senhora advertida pelos olhares da fila, coloca seu celular novamente na bolsa.

Uma hora e quinze de espera, e finalmente o serviço é aberto. Nesse momento olho para trás e vejo o dobro da fila de quando cheguei. Pego a ficha oito (de vinte). Mais quarenta minutos de espera e cadastro feito.

O primeiro passo foi dado. Agora sou verdadeiramente um desempregado, espero que seja por pouco tempo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

5964. Born to be wild (3:30)

Três vontades, três valores, três estilos. Embalados por um ímpeto juvenil. A grande chance surgiu e agarramos com unhas e dentes. Bom, mas vamos voltar um pouco no tempo. Sala de redação da FACOS (Faculdade de Comunicação Social da UFSM), uma tarde de quarta quente de novembro, reunião de pauta da segunda revista da turma do sexto semestre.

Muitas idéias, como sempre, pouca criatividade. Então vamos a escolhas de funções, e alguém grita: - Reportagem? Ao passo que vários se colocam a disposição de maneira voraz! Muda daqui, troca dali, saio eu, entra tu. Pela mão do acaso se forma a melhor equipe para a pauta que viria a ser escolhida.

Me sentiria me muito bem colocar em colocar toda nossa saga no papel. Entretanto, não tenho assistência jurídica suficiente para tocar nos nomes que queria. Além do tamanho, seria necessário um bom hectare desse blog. Então, me pague uma cerveja em um bar com música boa que lhe conto a história de cabo a rabo. Não entendeu nada? Leia a matéria abaixo, que foi publicada na terceira txt, escrita por Raero Monteiro e apuração de Otávio Chagas, Raero Monteiro e Willian Araújo.
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UFSM usada como ponte para recursos em projeto
Por Raero Monteiro
Otávio Chagas
Willian Araújo

Projeto ‘A Cultura – Inclusão Social’, sob investigação por não utilizar devidamente os recursos a ele destinados por emenda parlamentar do deputado Paulo Pimenta, foi mais uma da série de suspeitas lançadas sobre a UFSM e a FATEC nos últimos meses. Porém, a utilização dos recursos é apenas um dos vários procedimentos questionáveis envolvendo o projeto. A Universidade não elaborou, executou ou fiscalizou sua execução.

Dirigentes de entidades beneficentes que deveriam ser participantes do projeto, de 2005, o qual destinava R$ 48,2 mil para atividades com crianças e adolescentes, afirmam que sequer tinham conhecimento dele. O coordenador do projeto e pró-reitor de Planejamento da época, Roberto da Luz Júnior, 55, ficou surpreso ao saber das declarações, explicando que “não é de praxe” se verificar a aplicação dos recursos nos locais em que as atividades se desenvolvem.

O que diz Roberto vai de encontro à resolução nº 014/2003, assinada pelo então reitor, Jorge Sarkis, que instrui a formação de projetos que visam à contratação de fundação de apoio. Ela delega ao coordenador, dentre outras funções, a atribuição de “supervisionar as atividades do projeto”.

A mesma resolução dá ao gestor a responsabilidade de acompanhar e fiscalizar a execução do projeto. Cabe ao gestor fiscalizar inclusive o coordenador, e por isso o coordenador não pode também ser o gestor do projeto.

O gestor de ‘A Cultura – Inclusão Social’, José Orion Ribeiro, 44, foi indicado pelo próprio Roberto, e era funcionário da pró-reitoria de Extensão. José revela que o papel do gestor, na prática, também não é cumprido: “A gente, como gestor, não se envolve com o projeto. Tem que ter alguém responsável por ele mas tu não se envolve com as ações dele. (...) Não sei nem do que se trata o projeto, eu não me envolvi com o projeto”.

Nenhum bolsista ou professor das áreas envolvidas no projeto participam dele. Isso deixa claro que a UFSM apenas serviu como ponte para os recursos serem aplicados. Roberto define o papel da Universidade como de “assessoramento” para o ajuste formal do projeto, e ressalta que o deputado Paulo Pimenta “reivindicou parte dos recursos” da emenda para projetos “que ele mesmo apresentou para a Universidade através da ex-vereadora Misiara Oliveira”. Dentre eles estava ‘A Cultura – Inclusão Social’.

Não há no projeto qual o papel a ser desenvolvido pela ONG Olympe, que nele é parceira da UFSM. A ONG, na prática, assumiu o papel de executar as atividades previstas em outras três entidades, o que os dirigentes destas negam que tenha ocorrido.

A Olympe é representada no projeto e em outros documentos a ele relacionados por Marcelo Zardo Brettas, que não tem seu cargo na Olympe esclarecido. Roberto não conhece a presidente da ONG na época, Renata da Fontoura. Quem ele identifica como principal interlocutora da Olympe é a mesma pessoa que apresentou o projeto para a Universidade, a ex-vereadora Misiara Oliveira.

‘A Cultura – Inclusão Social’ faz parte de um projeto maior, intitulado ‘IPDR Apoio às ações comunitárias: A cultura – inclusão social, Apoio ao esporte de base e XX Festival de Inverno de Vale Vêneto’. Este projeto ‘guarda-chuva’ engloba ainda outros dois que receberam verbas da emenda. Um deles apoiava atividades com jovens das categorias de base do Grêmio Atlético Imembuí, no valor de R$ 52 mil. O outro repassava R$ 25 mil para o Festival de Inverno de Vale Vêneto.

Nenhum dos três projetos previa alguma viagem internacional a ser realizada. Entretanto, foram pagos R$ 3 mil à empresa Transportes Rizzatti Ltda. por uma viagem para Posadas, na Argentina. O número da nota fiscal é 5640 e ela é datada de 3 de janeiro de 2006.

Os professores do curso de Ciências Econômicas Clailton Freitas, Orlando Martinelli Júnior e Uacauan Bonilha constam como participantes de algum dos três projetos deste ‘guarda-chuva’, e receberam bolsas de R$ 1,5 mil cada. Contudo, eles não tiveram nenhuma participação neles, tendo recebido as bolsas pela participação em um outro, desenvolvido para avaliar o impacto da instalação de fábricas de celulose na região de Pelotas.

O professor Clailton Freitas, 43, revela: “Como esse projeto já estava recebendo a verba então os bolsistas do projeto Votorantin foram pagos com recursos dele. Mas, na verdade, eu não sei nada desse projeto. Foi só um erro mesmo, não sei por que nem foi corrigido”.

Falta de acompanhamento da execução do projeto, uso da Universidade como caminho para recursos, gastos sem previsão, pagamento de professores por serviços prestados em outro projeto. Preocupa, mais do que esses procedimentos, o fato de tantas falhas não terem sido descobertas pela própria UFSM ou pela FATEC.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

(Sem pretenções) Indiana Willian Jones apresenta: Hazmat Modine


Uma das coisas que mais me atrai na internet é conhecer bandas muito boas, que sem a internet, dificilmente teria notícia. Por isso, reservo horas do meu final de semana para fuçar em blogs de download do mundo todo, em busca de jóias da música mundial desfavorecidas pela mídia.

O meu critério de escolha do que vou baixar não é muito científico: geralmente leio a resenha escrita pelo blogueiro, e aí tiro minhas conclusões. Entretanto, 97% desses blogs não têm nenhuma explicação a mais do que nome e número de faixas do álbum que está disponível pra download. Então apelo para a sorte e baixo pelas capas dos álbuns. Surpreendentemente acerto a maioria dessas investidas.

Certo dia olhando o blog português ‘Raizes e antenas’, vi uma capa que me chamou atenção. Trazia uma harmônica (gaita de boca) que tinha várias tubas saindo de si, com a alcunha de Hazmat Modine. Felizmente havia uma resenha muito bem feita, que me trouxe ainda mais curiosidade: “O álbum começa com uma harmónica visceralmente blues a dar o mote para um reggae fumegante que acaba por fazer lembrar, tudo, em conjunto, o «Summertime», mas como se o «Summertime» tivesse nascido numa intersecção onírica qualquer entre Nova Orleães e Kingston”.

Na hora pensei: “hmm, isso deve ser interessante!”. Fui buscar mais informações sobre essa simbiose de ritmos. No site da banda, eles se definem assim: “HAZMAT MODINE é a junção rica de partes da música americana dos séculos 20's e 30's até à década de 50 e início dos 60's, mistura elementos do início Blues, Hokum Jugband, Swing, Klezmer, New Orleans R & B, e jamaicana Rocksteady. A banda é formada por dois gaitistas, tuba, guitarra, percussão e guitarra de aço havaiana. O som da banda reflete influências musicais que vão desde Avant-garde para Rockabilly Jazz e Western Swing ao Médio-Oriente, Africano, e estilos musicais havaianos”.

A confusão na minha cabeça ficou ainda maior! Então pesquisando mais sobre a banda, encontrei o blog do músico Marcello Ferreira, que classificou como uma das melhores coisas que ouviu no ano de 2007. Marcello, como especialista, faz um parecer efusivo sobre a banda: “Reunindo excelentes músicos, muito bom humor, Blues, Reggae, Country, boas “soluções musicais”, Foxtrot, música caribenha, bom gosto e instrumentos exóticos, o Hazmat Modine chegou a este belo resultado. Uma coisa que mais “salta” aos ouvidos é o bem feito jogo de diferentes timbres nas composições, as vozes versáteis; gaitas; madeiras; metais; percussões; madolins e slides de guitarras [além de cigarras e latidos de cachorro!!]”.

Ao ler esse texto, os 93MB de Hazmat Modine já haviam terminado de baixar. Prontamente me pus a ouvir para matar a curiosidade. Depois de duas audições criteriosas, concordei plenamente com as duas resenhas que havia lido. Fiquei estupefato com a banda e não a tirei mais da minha discoteca ambulante.

Bom, para compartilhar esse ótimo álbum, para pessoas que como eu, não tem como comprar o seu alimento musical, deixarei disponível para download no OpiniãOposta.


Download do álbum Bahamut - Hazmat Modine




A Volta do Cão arrependido!


Sumido? Não, isso seria muito ameno de minha parte. Prefiro dizer que deixei meu blog às moscas. Depois de um recesso na faculdade marcado pelo ócio e festas, e um vestibular de muito trabalho, voltei às aulas precisando recuperar as notas que deixei passar durante todo o semestre. Depois o carnaval, uma viagem para praia, e os exames. Isso não justifica, mas mostra como minha mente andou ocupada nesses últimos meses. Claro que se eu quisesse poderia postar algum texto. Tenho vários que ficaram a uns dois parágrafos de serem publicados, mas sempre deixava algo faltando.

Bom, vou parar de dar explicações e partir para o que interessa. A partir de agora pretendo ser mais assíduo no OpiniãOposta. Sei que falar em dois textos por semana é demagogia, mas quem sabe um por semana?

A foto que ilustra esse post foi tirada por mim em Tramandaí, na plataforma de pesca. Era uma tarde fria e bonita, que com alguns ajustes automáticos da câmera, propiciou essa bela imagem.

Não desapareçam, volto logo!

domingo, 30 de dezembro de 2007

5841. Lonely Day (2:47)


Nunca vi um dezembro com tanta cara de agosto. Acordo sem coragem de conviver com o meu quarto e as coisas que me cercam. Há muito elas já me dão a sensação de estar preso e condenado à monotonia. Junto todas as minhas forças e empreendo-as no esforço de levantar e me alimentar. Na cozinha, o refinado menu é pão velho com chá fraco.

Depois dessa fortificante refeição, aplasto-me em frente a TV. Incrivelmente após um banho de futilidade, minhas forças aumentam, já passam de 3% do total. Corro para o computador e escrevo um texto que tirei da minha garganta. A muito estava ali engasgado. Desculpe se aticei sua curiosidade, esse é mais um daqueles textos que queríamos mostrar a todos, mas que por várias circunstâncias se torna impublicável.

Depois dessa enxurrada de emoções, minha vontade já bate recorde, comparando com os outros dias dessa semana. Alcancei cerca de 13%. Já consigo sair por ai, totalmente sem rumo. Apenas eu, as nuvens negras que cercam a minha cabeça, e minha discoteca ambulante, que me salvou de um silêncio mórbido. Mesmo com pessoas, poucas pessoas, pela rua, a sensação é de estar de passagem em uma cidade abandonada e pronta para ser arrasada por uma tormenta.

Voltando a música, ao apertar play, o que vem é uma melancólica canção argentina. NÃO! Minha auto-estima grita! Logo passo para um rock-blues que me conduz pelas ruas de Santa Maria. Os solos da guitarra são muito mais envolventes do qualquer paisagem suja e carcomida. Não presto atenção em nada, apenas caminho. Meu transe só é interrompido por algum garoto pedindo moeda.

Quando saí de casa, o céu dava indícios de que ficaria limpo. Porém, saí e levei as minhas nuvens negras, e por muita sorte, elas ficaram pelo caminho, pesando mais o céu. Depois de uns 40 minutos de caminhada, passo em uma padaria, já que havia exterminado com meus pães velhos. Chego em casa, mente aliviada, a chuva volta e sem impõe. Voltei ao meu mundo, enfadonho, diga-se de passagem.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Minha vontade anda em Alcatraz


Muito para dizer, pouca inspiração para escrever. É esse o dilema que vivo atualmente. Me prometo que vou sentar em frente ao computador e debulhar a fartura de pensamentos e conjecturas que surgem na minha cabeça. Mas a preguiça e o cuidado me fazem vacilar diante dessa missão.

Então hoje, para não deixar o OpiniãOposta sem atualização, sugiro que ouçam o Pró-Música, programa de rádio que tenho com mais três amigos. Nessa semana, trouxemos alguns artistas que deixam transparecer na sua música as impressões de um presidiário. A escolha do playlist foi bem democrática e de muito bom gosto, modéstia a parte.

Para não perder o costume, também há muito humor no Pró-Música. Temos as participações especiais de Luiz Inácio Lula da Silva e Silvio Santos.

Espero que gostem da dica!!! Até a próxima e distante postagem!

Pró-Música toda a quarta-feira às 23h, pelos 800AM da Rádio Universidade

Clique aqui e ouça o Pró-Música agora

Site do Pró-Música

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Ignorância inteligente



Para mim os formadores de opinião, como os colunistas, devem saber mais do que qualquer cidadão comum sobre um fato. São esses privilegiados que com sua competência e coerência fornecem subsídios para que muitas pessoas formem suas opiniões.

Tomei um susto ao ver a falta de conhecimento do fato ocorrido na Bolívia por um articulista que até certo ponto respeitava: Arnaldo Jabor

Todos que estão bem informados sobre a questão da mudança da capital da Bolívia, sabem que é uma revolta burguesa. A classe bem remunerada do país quer a mudança da capital para a região mais rica. Mas o que isso tem de relevante para um país pobre?

Bom, para o Jabor isso é motivo para crucificar Evo. Ainda mais sendo ele, grande amigo de Chavez. Isso basta para o colunista do Jornal da Globo!

Acompanhe o texto:

Evo Morales segue o destino previsível, óbvio, de todas as ditaduras em marcha na América Latina.
Sempre começa com as bravatas de nacionalismo, de banir o inimigo imperialista, que aliás somos nós, o gigante.
Depois o caudilhismo começa a fazer água, pois a burguesia empresarial sabota, para de investir e a crise econômica se inicia.
Aí vem a repressão, a porrada, os Evos e outros aumentam a radicalização até que a quebra da economia se abate sobre o país e começa o novo ciclo em que o possível ditador acaba caindo, com o atraso voltando atrás, porque a idéia de progresso que a tradição de índios e populistas tinham era mais atrasada que o atraso das elites brancas.
Por trás dessas pseudo revoluções existe a antiqüíssima fé, herdada das teocracias sacrificais da época dos Incas, Maias e Aztecas: deuses no poder exterminados pelos espanhóis. Auto sacrifício e extermínio. Na Bolívia já recomeça o ciclo. Na Venezuela também já esta morrendo gente.
A única diferença é que agora há muita grana de petróleo e armas do Chávez e esse circulo vicioso pode ser o início de um banho de sangue, de uma horrenda tragédia na América Latina. Que espero, fique só entre os cocaleros e bananeros e não chegue até nos, os macaquitos.


sábado, 3 de novembro de 2007

Bretão e com criatividade

Como nascem bandas na Grã-Bretanha! Ultimamente tem surgido tantas bandas que, infelizmente, se criou um estereotipo com as mais recentes: “É mais uma bandinha inglesa”. Admito que muitas dessas se encaixem perfeitamente no rótulo, porém todos sabemos que qualquer generalização é mentirosa.

Por isso, vou falar de uma banda nova banda, que para mim, tem um estilo próprio e diferenciado: The Fratellis.

A banda é formado por Jon Fratelli, Barry Frateli e Mince Fratelli. Fratelli de verdade apenas o baixista Barry, que emprestou seu nome aos companheiros de banda, criando a família The Fratellis.

Os escoceses tem alcançado uma boa repercussão na mídia especializada. Fazem apenas dois anos do seu primeiro show, e o trio de Gasgow já tem um álbum com 3 singles: Costello Music. É uma álbum leve, irreverente e com uma identidade própria, sem deixar de lado o tradicionalismo de alguns sons como o Blues, Folk e Country.

Uma das principais características da banda revela sua origem bretã: a alegria. Assim como Arctic Monkeys e Franz Ferdinand, o The Fratellis é um bom motivo para não permanecer parado enquanto se ouve.

O álbum Costello Music é formado por 13 músicas, com diferentes pegadas. A música de abertura é “Henrietta”, ela dá tônica do que se encontra no resto do álbum. “Flathead” inicia com uma viola e bateria bem ao estilo folk, mas logo já se mistura com fúria adolescente do Fratellis. Também tem vocais interessantes, o refrão me lembra uma música do Rei Leão ou algo assim.

A faixa 3 é “Cuntry boys e city girls”, lembra uma “surf music” da década de 60, mas com uma pegada rock bem forte. Tem também a simplicidade da balada “Whistle For The Choir” e o jeito country de “Vince The Lovable Stoner”. “Doginabag” é blues com os pés no rock, pouco mais sombrio em relação ao resto do álbum...Sensacional! “Chelsea Dagger” e “Creepin Up The Backstairs” mostram toda a vivacidade e ânimo da banda.

Enfim, o “Costello Music” é um ótimo álbum e com certeza o Fratellis não é apenas mais uma banda Bretã. Para quem não tem preconceito musical, é bem humorado e está aberto a coisas novas e diferentes, o The Fratellis é uma ótima experiência.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Insonância!


Já é tradicional. A madrugada vem, a insônia continua, Jô segue o seu roteiro, enquanto os lixeiros se comunicam aos berros durante a coleta do lixo urbano. O detalhe mais interessante desse fato, é que a linguagem exercida por eles, é totalmente indecifrável para um leigo. Apenas os iniciados no assunto conseguem assimilar os urros, gargalhadas, e balbuciações. Esses sons passam a impressão de felicidade e divertimento. Estranho e incompreensível aos olhos da nossa sociedade capitalista.

Exceto a rotina já descrita antes, a madrugada sempre apresenta alguma surpresa. Surpresas inesperadas, engraçadas, trágicas, eróticas e etc. Certo domingo, não conseguia dormir de jeito nenhum. O lado mais sério de meu cérebro, extremamente irritado pela displicência teimosa do lado criativo, relembrava que segunda era dia de “São Pega”, e que a preguiça não me deixaria acordar no horário determinado.

Enquanto assisto um filme do Van Damme, para ver se surge uma centelha de sono, ouço comprimentos e uma conversa animada. A curiosidade de um insoniado é voraz. Tão logo ouço as vozes, aciono o botão de mudo, calando as lamúrias dos ninjas que apanhavam do dragão branco. Era uma conversa amigável, permeada por gargalhadas sinceras. A conversa vinha da rua, da frente de uma igreja misteriosa ao lado de meu prédio. Em frente a uma pracinha dominada por cachorros e onde nunca vi uma criança. Os amigos se entusiasmam cada vez mais, porém distância da conversa até a minha janela, evita que eu decifre as alegrias bradadas em plenas duas da manhã. Sem entender muita coisa, vou começando a perder o interesse. As agressões do Van Damme me chamam atenção e desligo o mudo. Ouço “pof, soc e catabum”, mas ao fundo, continuo ouvindo os amigos cada vez mais entusiasmados.

Passa intervalo, volta a porrada, a madrugada avança e continua com seu silêncio revelador, só interrompido pelas gargalhadas dos amigos. A alegria alheia já me estava me incomodando. O lado sério dizia “Esses folgados não sabem que preciso acordar cedo amanhã?”, e o criativo respondia prontamente “deixa eles, tu está é com curiosidade!”. Passeio pela vasta gama de canais disponíveis em minha pequena antena. É crente se aconselhando, filme B italiano, venda de jóias, clipe de rap e o Van Damme. Mesmo com todas essas opções, meu sono continuava fugindo. E os amigos não paravam... Foi então, que após um silêncio prolongado ouço o seguinte verso: “Eu caminhei sozinho pela rua...”, cantado em duas vozes, uma delas, a segunda, em falsete. EU NÃO ACREDITEI. Os dois amigos não eram apenas amigos, e sim uma dupla sertaneja. A canção continuou: “Cantei com as estrelas e com a lua, sentei no banco da praça tentando te esquecer, adormeci e sonhei com você. No sonho você vem provocante, me deu um beijo doce e me abraçou, e bem na hora H, no ponto alto do amor, já era dia e o guarda me acordou”. A minha aparente perplexidade se transforma em riso, enquanto a dupla chega ao famoso refrão de Bruno e Marrone.

Não me contenho, abro a janela para ter certeza que é real o que eu estava ouvindo. O mais intrigante de tudo é que eles realmente cantavam bem. Deixo o Van Damme batendo nos seus oponentes em silêncio para melhor ouvir os dois cantantes. A música acaba, mas logo já iniciam outra, e outra, e outra. Meu repertório sertanejo já não conhecia essas canções. Penso em ir até a rua, me oferecer para ser o produtor dessa dupla, com certeza teriam futuro. Enquanto ouço as músicas e penso qualquer coisa, Morfeu vai se esgueirando pelo quarto. Aproxima-se e com a rapidez de um lince me faz pegar no sono. Criatura sacana! Enquanto estou entediado ele se esconde, mas quando encontro algo peculiar e interessante, ele vem e me adormece sem nenhuma satisfação.

Na manhã seguinte, acordo me questionando se realmente presenciei aquilo. Chego à conclusão que não era um fruto de minha imaginação. Sem refletir muito, faço os rituais matinais e vou para universidade. Dia cansativo, nem toco nas reminiscências da madrugada. Quando a próxima madrugada vem chegando, me mantenho atento, esperando mais um ensaio da dupla. Essa madrugada parecia mais monótona. Até os lixeiros não demonstravam a mesma alegria. Espero até enquanto agüento os ataques de Morfeu. Durmo.

Já se passaram meses e a dupla nunca mais se apresentou enfrente a igreja, tornando mais intrigante o ocorrido. Madrugadas se sucedem e outras passagens de realismo fantástico se apresentam. Mas até agora, nenhuma tão estranha como está.